segunda-feira, 6 de julho de 2009

SOL LIGADO NA TOMADA


Por que a energia solar pode ser uma das principais fontes de eletricidade do Brasil na próxima década
Mauricio Moraes
Revista Info Exame – 07/2009

Até 2020, sua casa poderá virar uma pequena usina fotovoltaica. Grandes placas instaladas no telhado ou no terreno vão captar a energia do Sol e transformá-la em eletricidade, que sera consumida por lâmpadas, gadgets e outros eletrônicos. O que sobrar irá diretamente para a rede elétrica, e as concessionárias vão pagar por esse excedente.
Com isso, quase todo mundo terá a chance de se tornar um microempresário do setor energético.

A previsão acima não é um exercício de futurologia. Países como a Alemanha já adotam esse modelo, e com tremendo sucesso. Só no ano passado, foram instalados cerca de 100 mil telhados solares nessepaís. Na opinião de especialistas na área, como Ricardo Rüther, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o mesmo cenário tem grandes chances de se repetir por aqui. “A energia fotovoltaica vai ser competitiva no Brasil dentro de dez anos”, diz.

A preocupação com o aquecimento global fez explodir o interesse por energias renováveis e limpas, que passaram a receber investimentos cada vez maiores em todo o mundo. E o que pode ser mais ecológico do que captar a luz do Sol e convertê-la em eletricidade?

Além da Alemanha, o time das superpotências solares inclui Espanha, Estados Unidos e Japão. Juntos, os quatro países geram aproximadamente 50% dos cerca de 14 gigawatts produzidos no planeta. Lá e aqui, o maior impedimento para a popularização dos sistemas fotovoltaicos está no preço dos equipamentos. Mas os valores têm caído vertiginosamente. No final da década de 70, cada watt produzido por meio de células fotovoltaicas custava nada menos do que 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 dólares.

“Quando o valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, conseguirá competir com qualquer outro tipo de energia”, afirma Adriano Moehlecke, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Isso já deve se tornar realidade nos próximos anos, uma vez que a energia solar está cada vez mais em alta. A venda de sistemas desse tipo em todo o planeta aumentou 85% em 2008, na comparação com 2007. E não foi pequena a quantidade de aparelhos comercializados no período: somada, a produção desses módulos fotovoltaicos chega a 8 gigawatts, pouco mais da metade da potência da Usina de Itaipu. No Brasil, no entanto, esse volume ainda é desprezível — os produtos mais bem-sucedidos na área são os aquecedores solares. O que vai fazer esse panorama mudar?

A CIDADE SOLAR

PLACAS SAEM DO FORNO
Pesquisadores brasileiros têm procurado uma solução. É o caso de Moehlecke e da professora Izete Zanesco, também da PUC-RS. Eles montaram uma planta- piloto para produzir módulos fotovoltaicos com tecnologia nacional. A mini-indústria fabrica células solares que alcançam efi ciência energética de até 15,4% — a média mundial está em 14%. “Estamos produzindo todos os dias”, diz Moehlecke. “O próximo passo será transferir essa tecnologia para as empresas.”
Entre a década de 80 e o início dos anos 90, o Brasil já teve uma indústria mundialmente renomada na área de produção de sistemas fotovoltaicos, a Heliodinâmica.

Situada em Vargem Grande Paulista (SP), ela não suportou a concorrência estrangeira, que conseguia fazer produtos mais baratos, e desapareceu do mapa. “Em 1986, fomos responsáveis por mais de 5% da produção mundial”, afi rma Bruno Topel, presidente da empresa. “Agora estamos em reestruturação.” Embora o site da companhia ainda esteja no ar, não é possível mais adquirir seus painéis. A instalação de sistemas solares nas residências, com a venda de parte da energia para as concessionárias, é vista como uma das alternativas mais promissoras para a área superar as difi culdades do passado e deslanchar. Tudo indica que o processo vai começar nos estados em que os preços da energia solar e tradicional devem se igualar primeiro: Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Ceará. Mas para que um modelo similar ao da Alemanha seja adotado, é necessário mudar a legislação brasileira. Hoje, pessoas físicas não podem conectar cabos à rede elétrica e sair comercializando watts.

USINA POR CONVECÇÃO
A empresa australiana EnviroMission pretende construir na Austrália uma usina solar inovadora. O ar passará por placas concentradoras de calor, que aumentarão a sua temperatura de 30 para 70 graus. Como gases aquecidos tendem a subir, o ar seguirá por uma torre de 1 quilômetro de altura, girando turbinas e produzindo 200 megawatts de energia.

ELETRIZANDO A FLORESTA
Enquanto a mudança não vem, os principais investimentos do governo federal e de empresas estatais do setor concentram-se na energização de comunidades isoladas ou de pontos de difícil acesso no país, como a Amazônia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2007 havia 1,2 milhão de casas no país sem nenhuma iluminação elétrica, ou 2,3% do total. Em muitos desses lugares, criar conexões à rede sairia caro — algo entre 8 mil e 15 mil reais por quilômetro de extensão. “O uso de sistemas fotovoltaicos é mais viável no processo de eletrifi cação rural”, diz Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

[img1]

Segundo ele, a instalação de um sistema desse tipo, de 1 kilowatt, custa entre 7 mil e 9 mil dólares. A potência representa o mínimo necessário para o consumo de uma família de quatro pessoas, sem chuveiro elétrico e ar-condicionado. Os sistemas autônomos têm, no entanto, uma desvantagem: a dependência de baterias, carregadas ao longo do dia para que a energia possa ser usada à noite. Além de custarem caro, precisam ser trocadas a cada cinco anos em média. Já os painéis têm garantia de 25 anos.

ÍNDIOS COM ENERGIA SOLAR
Entre os beneficiados pela energia solar estão os índios guatós, do Mato Grosso do Sul. “Eles vivem a 40 horas de barco da cidade mais próxima, no meio do Pantanal”, afi rma Ronaldo dos Santos Custódio, diretor de engenharia da Eletrosul. A concessionária ajudou a instalar 104 placas na aldeia, pelo projeto Luz para Todos. A Eletrosul também montou módulos fotovoltaicosna Ilha do Arvoredo (SC), uma reserva antes 100% dependente de geradores a diesel.
Outra empresa que tem apostado em energia solar é a Petrobras. Além de fi nanciar pesquisas, a estatal usa sistemas fotovoltaicos em plataformas desabitadas.

“Desde que começamos a trabalhar com energias renováveis, em 2001, investimos 10 milhões de reais nessa área”, afirma Paulo Roberto Barreiros, gerente de Gás Natural do Centro de Pesquisas da Petrobras. No ano que vem, a empresa vai construir uma usina solar de 44 kilowatts no Polo Industrial de Guamaré (RN). A unidade funcionará em caráter experimental. Por enquanto, esse modelo de geração de energia não é economicamente viável no Brasil — o alto custo em relação a outras opções, como as hidrelétricas, torna raras as iniciativas desse tipo.

No exterior, vêm ganhando destaque as usinas heliotérmicas. Em vez de painéis com células fotovoltaicas, elas usam concentradores de calor para gerar energia. Como ocupam grandes áreas, sua instalação só é viável em regiões desérticas. Ninguém sabe dizer qual sistema vai prevalecer ou se todos vão coexistir. Mas uma coisa é certa: o futuro ao Sol pertence.

CARROS SOLARES

Veja também:
Casa solar 100% brasileira
Energia solar pode ficar mais barata

Até 2020, sua casa poderá virar uma pequena usina fotovoltaica. Grandes placas instaladas no telhado ou no terreno vão captar a energia do Sol e transformá-la em eletricidade, que sera consumida por lâmpadas, gadgets e outros eletrônicos. O que sobrar irá diretamente para a rede elétrica, e as concessionárias vão pagar por esse excedente.
Com isso, quase todo mundo terá a chance de se tornar um microempresário do setor energético.

A previsão acima não é um exercício de futurologia. Países como a Alemanha já adotam esse modelo, e com tremendo sucesso. Só no ano passado, foram instalados cerca de 100 mil telhados solares nessepaís. Na opinião de especialistas na área, como Ricardo Rüther, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o mesmo cenário tem grandes chances de se repetir por aqui. “A energia fotovoltaica vai ser competitiva no Brasil dentro de dez anos”, diz.

A preocupação com o aquecimento global fez explodir o interesse por energias renováveis e limpas, que passaram a receber investimentos cada vez maiores em todo o mundo. E o que pode ser mais ecológico do que captar a luz do Sol e convertê-la em eletricidade?

Além da Alemanha, o time das superpotências solares inclui Espanha, Estados Unidos e Japão. Juntos, os quatro países geram aproximadamente 50% dos cerca de 14 gigawatts produzidos no planeta. Lá e aqui, o maior impedimento para a popularização dos sistemas fotovoltaicos está no preço dos equipamentos. Mas os valores têm caído vertiginosamente. No final da década de 70, cada watt produzido por meio de células fotovoltaicas custava nada menos do que 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 dólares.

“Quando o valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, conseguirá competir com qualquer outro tipo de energia”, afirma Adriano Moehlecke, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Isso já deve se tornar realidade nos próximos anos, uma vez que a energia solar está cada vez mais em alta. A venda de sistemas desse tipo em todo o planeta aumentou 85% em 2008, na comparação com 2007. E não foi pequena a quantidade de aparelhos comercializados no período: somada, a produção desses módulos fotovoltaicos chega a 8 gigawatts, pouco mais da metade da potência da Usina de Itaipu. No Brasil, no entanto, esse volume ainda é desprezível — os produtos mais bem-sucedidos na área são os aquecedores solares. O que vai fazer esse panorama mudar?

A CIDADE SOLAR

PLACAS SAEM DO FORNO
Pesquisadores brasileiros têm procurado uma solução. É o caso de Moehlecke e da professora Izete Zanesco, também da PUC-RS. Eles montaram uma planta- piloto para produzir módulos fotovoltaicos com tecnologia nacional. A mini-indústria fabrica células solares que alcançam efi ciência energética de até 15,4% — a média mundial está em 14%. “Estamos produzindo todos os dias”, diz Moehlecke. “O próximo passo será transferir essa tecnologia para as empresas.”
Entre a década de 80 e o início dos anos 90, o Brasil já teve uma indústria mundialmente renomada na área de produção de sistemas fotovoltaicos, a Heliodinâmica.

Situada em Vargem Grande Paulista (SP), ela não suportou a concorrência estrangeira, que conseguia fazer produtos mais baratos, e desapareceu do mapa. “Em 1986, fomos responsáveis por mais de 5% da produção mundial”, afi rma Bruno Topel, presidente da empresa. “Agora estamos em reestruturação.” Embora o site da companhia ainda esteja no ar, não é possível mais adquirir seus painéis. A instalação de sistemas solares nas residências, com a venda de parte da energia para as concessionárias, é vista como uma das alternativas mais promissoras para a área superar as difi culdades do passado e deslanchar. Tudo indica que o processo vai começar nos estados em que os preços da energia solar e tradicional devem se igualar primeiro: Minas Gerais, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Ceará.

Mas para que um modelo similar ao da Alemanha seja adotado, é necessário mudar a legislação brasileira. Hoje, pessoas físicas não podem conectar cabos à rede elétrica e sair comercializando watts.

USINA POR CONVECÇÃO
A empresa australiana EnviroMission pretende construir na Austrália uma usina solar inovadora. O ar passará por placas concentradoras de calor, que aumentarão a sua temperatura de 30 para 70 graus. Como gases aquecidos tendem a subir, o ar seguirá por uma torre de 1 quilômetro de altura, girando turbinas e produzindo 200 megawatts de energia.

ELETRIZANDO A FLORESTA
Enquanto a mudança não vem, os principais investimentos do governo federal e de empresas estatais do setor concentram-se na energização de comunidades isoladas ou de pontos de difícil acesso no país, como a Amazônia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2007 havia 1,2 milhão de casas no país sem nenhuma iluminação elétrica, ou 2,3% do total. Em muitos desses lugares, criar conexões à rede sairia caro — algo entre 8 mil e 15 mil reais por quilômetro de extensão. “O uso de sistemas fotovoltaicos é mais viável no processo de eletrifi cação rural”, diz Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

Ana Araújo

Amazônia: energia solar começa a abastecer comunidades que vivem em pontos isolados

Segundo ele, a instalação de um sistema desse tipo, de 1 kilowatt, custa entre 7 mil e 9 mil dólares. A potência representa o mínimo necessário para o consumo de uma família de quatro pessoas, sem chuveiro elétrico e ar-condicionado. Os sistemas autônomos têm, no entanto, uma desvantagem: a dependência de baterias, carregadas ao longo do dia para que a energia possa ser usada à noite. Além de custarem caro, precisam ser trocadas a cada cinco anos em média. Já os painéis têm garantia de 25 anos.

ÍNDIOS COM ENERGIA SOLAR
Entre os beneficiados pela energia solar estão os índios guatós, do Mato Grosso do Sul. “Eles vivem a 40 horas de barco da cidade mais próxima, no meio do Pantanal”, afi rma Ronaldo dos Santos Custódio, diretor de engenharia da Eletrosul. A concessionária ajudou a instalar 104 placas na aldeia, pelo projeto Luz para Todos. A Eletrosul também montou módulos fotovoltaicosna Ilha do Arvoredo (SC), uma reserva antes 100% dependente de geradores a diesel.
Outra empresa que tem apostado em energia solar é a Petrobras. Além de fi nanciar pesquisas, a estatal usa sistemas fotovoltaicos em plataformas desabitadas.

“Desde que começamos a trabalhar com energias renováveis, em 2001, investimos 10 milhões de reais nessa área”, afirma Paulo Roberto Barreiros, gerente de Gás Natural do Centro de Pesquisas da Petrobras. No ano que vem, a empresa vai construir uma usina solar de 44 kilowatts no Polo Industrial de Guamaré (RN). A unidade funcionará em caráter experimental. Por enquanto, esse modelo de geração de energia não é economicamente viável no Brasil — o alto custo em relação a outras opções, como as hidrelétricas, torna raras as iniciativas desse tipo.

No exterior, vêm ganhando destaque as usinas heliotérmicas. Em vez de painéis com células fotovoltaicas, elas usam concentradores de calor para gerar energia. Como ocupam grandes áreas, sua instalação só é viável em regiões desérticas. Ninguém sabe dizer qual sistema vai prevalecer ou se todos vão coexistir. Mas uma coisa é certa: o futuro ao Sol pertence.

CARROS SOLARES

Veja também:
Casa solar 100% brasileira
Energia solar pode ficar mais barata

YES, NÓS TEMOS VENTO


Ventania

Yes, nós temos vento

A produção de energia eólica no Brasil ainda é tímida. Mas tem tudo para decolar em 2009
Juliano Barreto
Revista Info Exame – 04/2009

Em breve, o Brasil poderá ter a maior usina eólica do mundo. Só não se sabe ainda se ela estará no Rio Grande do Sul, no Ceará ou se os parques dos dois estados vão disputar megawatt por megawatt o título de maior produtor de energia limpa do país. E a expectativa de projetos desse tipo não fica restrita aos gaúchos e cearenses. Há também iniciativas pipocando em Santa Catarina, no Rio Grande do Norte, na Paraíba e em outros cantos do Nordeste e do Sul.

Apesar de projetos como esses, considerando o total de energia produzida no país, ainda somos nanicos. Se comparado com os Estados Unidos, que têm capacidade instalada de 25 170 MW e com a China, que gera 12 210 MW de energia eólica por ano, o Brasil produz míseros 420 MW. Mas o papel dos cataventos ecológicos aqui é diferente. Ao contrário das nações que buscam saídas para a dependência de fontes esgotáveis e poluentes, o Brasil tem uma vasta capacidade de abastecimento proveniente das usinas hidrelétricas, naturalmente renováveis e com menor impacto ambiental. Assim, as usinas eólicas não chegam com papel de salvadoras da pátria, mas como uma alternativa estratégica.

“Sempre foi dito que os recursos hídricos são ilimitados, mas o considerável aumento do consumo energético no Centro-Sul do país tem mudado esse conceito”, diz Pedro Perrelli, diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). É nesse ponto que as ventanias podem soprar a favor do Brasil. Historicamente, os períodos com menos chuva são os mesmos em que o país tem mais vento. Surge assim a palavra-chave da energia eólica no Brasil: complementariedade.

Devido as suas características geográficas, o país tem espaço para projetos de todos os tamanhos, servindo estados inteiros ou apenas um parque industrial ou uma fábrica. No parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, que tem potência instalada de 150 MW e é considerado o maior da América Latina, a meta do governo é usar o local para a geração de energia e priorizar o uso da água para a irrigação e outras atividades. Se confirmada, a duplicação da potência do parque vai gerar energia equivalente ao consumo anual de 1,3 milhão de residências.

[img1] No Ceará, o projeto do Complexo Industrial do Porto do Pecém tem nas turbinas eólicas sua principal fonte de abastecimento. Em um estado que não produz toda a energia que consome, esse reforço vindo dos ventos é essencial para a redução de custos, como foi demonstrado no bem-sucedido parque de Mucuripe. Tanto no Nordeste quanto no Sul, a escolha pela tecnologia eólica não foi só pela consciência ambiental mas também por economia e rapidez.

“Montar um parque eólico é como armar um circo. Para uma estrutura de 2 GW, seria preciso de mil aerogeradores com três mil pás. Podemos produzir isso em seis meses, e a instalação demoraria uns três anos. Para uma hidrelétrica desse mesmo porte, o prazo seria de cinco a dez anos”, afirma Wagner Lapa, executivo sênior de tecnologia da Tecsis,abricante de componentes para usinas eólicas com sede em Sorocaba, no interior de São Paulo.

A Tecsis, que exporta para projetos da GE nos Estados Unidos e trabalha apenas para empresas americanas e espanholas, planeja, em breve, aceitar encomendas brasileiras. Um dos motivos para isso é a desaceleração dos projetos no exterior. “A crise até ajuda a diminuir a pressão pela fabricação de equipamentos, que forçava os fabricantes a aumentar seus preços numa relação de oferta e procura”, diz Hamilton Moss de Souza, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

Outro fator para otimismo é a realização de um leilão de reservas de marcado para o segundo semestre deste ano. Diferentemente do que aconteceu nos últimos eventos desse tipo, o leilão será restrito a projetos de energia eólica, separando essa modalidade das demais fontes alternativas de energia, como a solar e a biomasssa.

A ESCOLHA PELA TECNOLOGIA EÓLICA NÃO TEM A VER APENAS COM ECOLOGIA MAS TAMBÉM COM ECONOMIA E RAPIDEZ

TECNOLOGIA AO VENTO
Quem vê fotos de usinas eólicas pode ficar encantado com a leveza dos modernos cataventos que geram energia limpa e poupam a atmosfera de toneladas de poluição. Mas cada megawatt gerado exige o trabalho de toneladas de equipamentos e de uma complexa parafernália de cabos, linhas de transmissão e transformadores.

Mais usadas no Brasil, as pás de 50 metros são fabricadas em fibra de vidro e pesam cerca de nove toneladas cada. Somadas com outras 100 toneladas das turbinas e com a fundação e a torre, cada aerogerador pode chegar a impressionantes 2 205 toneladas.

Por trás das torres, há uma estrutura de transformadores que precisam alterar a frequência da energia captada pelas turbinas, que ainda passa por mais um processo de transformação para o tipo de corrente elétrica usado pelo grid do resto da rede nacional. É uma trabalheira que traz efeitos colaterais, como o aumento no tempo de instalação das usinas, perda de efi ciência e, finalmente, maior custo final da energia.

Para contornar esses problemas, novas soluções, como o uso de fibra de carbono e de geradores que não precisam converter sua energia para a corrente da rede já instalada, estão sendo usadas na Europa e devem, em breve, desembarcar no Brasil. Há ainda a possibilidade de instalar parques eólicos em alto mar. Na Dinamarca existem aerogeradores operando a 20 quilômetros da costa. É mais uma possibilidade eólica que o Brasil, com seus oito mil quilômetros de litoral, pode aproveitar bem.

1 120 GW: é a produção anual de energia eólica no mundo;
420 MW: é quanto o Brasil consegue produzir em um ano;
332 GW: é a meta mundial de produção para 2013.
Fontes: Global Wind Energy Council Outlook 2008 e Abeeólica

Leia também:
Vivendo de brisa

Em breve, o Brasil poderá ter a maior usina eólica do mundo. Só não se sabe ainda se ela estará no Rio Grande do Sul, no Ceará ou se os parques dos dois estados vão disputar megawatt por megawatt o título de maior produtor de energia limpa do país. E a expectativa de projetos desse tipo não fica restrita aos gaúchos e cearenses. Há também iniciativas pipocando em Santa Catarina, no Rio Grande do Norte, na Paraíba e em outros cantos do Nordeste e do Sul.

Apesar de projetos como esses, considerando o total de energia produzida no país, ainda somos nanicos. Se comparado com os Estados Unidos, que têm capacidade instalada de 25 170 MW e com a China, que gera 12 210 MW de energia eólica por ano, o Brasil produz míseros 420 MW. Mas o papel dos cataventos ecológicos aqui é diferente. Ao contrário das nações que buscam saídas para a dependência de fontes esgotáveis e poluentes, o Brasil tem uma vasta capacidade de abastecimento proveniente das usinas hidrelétricas, naturalmente renováveis e com menor impacto ambiental. Assim, as usinas eólicas não chegam com papel de salvadoras da pátria, mas como uma alternativa estratégica.

“Sempre foi dito que os recursos hídricos são ilimitados, mas o considerável aumento do consumo energético no Centro-Sul do país tem mudado esse conceito”, diz Pedro Perrelli, diretor-executivo da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica). É nesse ponto que as ventanias podem soprar a favor do Brasil. Historicamente, os períodos com menos chuva são os mesmos em que o país tem mais vento. Surge assim a palavra-chave da energia eólica no Brasil: complementariedade.

Devido as suas características geográficas, o país tem espaço para projetos de todos os tamanhos, servindo estados inteiros ou apenas um parque industrial ou uma fábrica. No parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, que tem potência instalada de 150 MW e é considerado o maior da América Latina, a meta do governo é usar o local para a geração de energia e priorizar o uso da água para a irrigação e outras atividades. Se confirmada, a duplicação da potência do parque vai gerar energia equivalente ao consumo anual de 1,3 milhão de residências.



Gentil Barreira/Divulgação

Fortaleza: Mucuripe é um dos parques eólicos que aproveitam os ventos fortes do NordesteNo Ceará, o projeto do Complexo Industrial do Porto do Pecém tem nas turbinas eólicas sua principal fonte de abastecimento. Em um estado que não produz toda a energia que consome, esse reforço vindo dos ventos é essencial para a redução de custos, como foi demonstrado no bem-sucedido parque de Mucuripe. Tanto no Nordeste quanto no Sul, a escolha pela tecnologia eólica não foi só pela consciência ambiental mas também por economia e rapidez.

“Montar um parque eólico é como armar um circo. Para uma estrutura de 2 GW, seria preciso de mil aerogeradores com três mil pás. Podemos produzir isso em seis meses, e a instalação demoraria uns três anos. Para uma hidrelétrica desse mesmo porte, o prazo seria de cinco a dez anos”, afirma Wagner Lapa, executivo sênior de tecnologia da Tecsis,abricante de componentes para usinas eólicas com sede em Sorocaba, no interior de São Paulo.

A Tecsis, que exporta para projetos da GE nos Estados Unidos e trabalha apenas para empresas americanas e espanholas, planeja, em breve, aceitar encomendas brasileiras. Um dos motivos para isso é a desaceleração dos projetos no exterior. “A crise até ajuda a diminuir a pressão pela fabricação de equipamentos, que forçava os fabricantes a aumentar seus preços numa relação de oferta e procura”, diz Hamilton Moss de Souza, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e Energia.

Outro fator para otimismo é a realização de um leilão de reservas de marcado para o segundo semestre deste ano. Diferentemente do que aconteceu nos últimos eventos desse tipo, o leilão será restrito a projetos de energia eólica, separando essa modalidade das demais fontes alternativas de energia, como a solar e a biomasssa.

A ESCOLHA PELA TECNOLOGIA EÓLICA NÃO TEM A VER APENAS COM ECOLOGIA MAS TAMBÉM COM ECONOMIA E RAPIDEZ

TECNOLOGIA AO VENTO
Quem vê fotos de usinas eólicas pode ficar encantado com a leveza dos modernos cataventos que geram energia limpa e poupam a atmosfera de toneladas de poluição. Mas cada megawatt gerado exige o trabalho de toneladas de equipamentos e de uma complexa parafernália de cabos, linhas de transmissão e transformadores.

Mais usadas no Brasil, as pás de 50 metros são fabricadas em fibra de vidro e pesam cerca de nove toneladas cada. Somadas com outras 100 toneladas das turbinas e com a fundação e a torre, cada aerogerador pode chegar a impressionantes 2 205 toneladas.

Por trás das torres, há uma estrutura de transformadores que precisam alterar a frequência da energia captada pelas turbinas, que ainda passa por mais um processo de transformação para o tipo de corrente elétrica usado pelo grid do resto da rede nacional. É uma trabalheira que traz efeitos colaterais, como o aumento no tempo de instalação das usinas, perda de efi ciência e, finalmente, maior custo final da energia.

Para contornar esses problemas, novas soluções, como o uso de fibra de carbono e de geradores que não precisam converter sua energia para a corrente da rede já instalada, estão sendo usadas na Europa e devem, em breve, desembarcar no Brasil. Há ainda a possibilidade de instalar parques eólicos em alto mar. Na Dinamarca existem aerogeradores operando a 20 quilômetros da costa. É mais uma possibilidade eólica que o Brasil, com seus oito mil quilômetros de litoral, pode aproveitar bem.

1 120 GW: é a produção anual de energia eólica no mundo;
420 MW: é quanto o Brasil consegue produzir em um ano;
332 GW: é a meta mundial de produção para 2013.
Fontes: Global Wind Energy Council Outlook 2008 e Abeeólica

Leia também:
Vivendo de brisa
Fonte de pesquisa:http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/energia/

terça-feira, 30 de junho de 2009

Água doce e limpa: de "dádiva" à raridade*


Estudiosos prevêem que em breve a água será causa principal de conflitos entre nações. Há sinais dessa tensão em áreas do planeta como Oriente Médio e África. Mas também os brasileiros, que sempre se consideraram dotados de fontes inesgotáveis, vêem algumas de suas cidades sofrerem falta de água. A distribuição desigual é causa maior de problemas. Entre os países, o Brasil é privilegiado com 12% da água doce superficial no mundo.
Outro foco de dificuldades é a distância entre fontes e centros consumidores. É o caso da Califórnia (EUA), que depende para abastecimento até de neve derretida no distante Colorado. E também é o caso da cidade de São Paulo, que, embora nascida na confluência de vários rios, viu a poluição tornar imprestáveis para consumo as fontes próximas e tem de captar água de bacias distantes, alterando cursos de rios e a distribuição natural da água na região. Na última década, a quantidade de água distribuída aos brasileiros cresceu 30%, mas quase dobrou a proporção de água sem tratamento (de 3,9% para 7,2%) e o desperdício ainda assusta: 45% de toda a água ofertada pelos sistemas públicos.

Disponibilidade e distribuição
Embora o Brasil seja o primeiro país em disponibilidade hídrica em rios do mundo, a poluição e o uso inadequado comprometem esse recurso em várias regiões do País.
O Brasil concentra em torno de 12% da água doce do mundo disponível em rios e abriga o maior rio em extensão e volume do Planeta, o Amazonas. Além disso, mais de 90% do território brasileiro recebe chuvas abundantes durante o ano e as condições climáticas e geológicas propiciam a formação de uma extensa e densa rede de rios, com exceção do Semi-Árido, onde os rios são pobres e temporários. Essa água, no entanto, é distribuída de forma irregular, apesar da abundância em termos gerais. A Amazônia, onde estão as mais baixas concentrações populacionais, possui 78% da água superficial. Enquanto isso, no Sudeste, essa relação se inverte: a maior concentração populacional do País tem disponível 6% do total da água.
Mesmo na área de incidência do Semi-Árido (10% do território brasileiro; quase metade dos estados do Nordeste), não existe uma região homogênea. Há diversos pontos onde a água é permanente, indicando que existem opções para solucionar problemas socioambientais atribuídos à seca.

Qualidade comprometida
A água limpa está cada vez mais rara na Zona Costeira e a água de beber cada vez mais cara. Essa situação resulta da forma como a água disponível vem sendo usada: com desperdício - que chega entre 50% e 70% nas cidades -, e sem muitos cuidados com a qualidade. Assim, parte da água no Brasil já perdeu a característica de recurso natural renovável (principalmente nas áreas densamente povoadas), em razão de processos de urbanização, industrialização e produção agrícola, que são incentivados, mas pouco estruturados em termos de preservação ambiental e da água.
Nas cidades, os problemas de abastecimento estão diretamente relacionados ao crescimento da demanda, ao desperdício e à urbanização descontrolada – que atinge regiões de mananciais. Na zona rural, os recursos hídricos também são explorados de forma irregular, além de parte da vegetação protetora da bacia (mata ciliar) ser destruída para a realização de atividades como agricultura e pecuária. Não raramente, os agrotóxicos e dejetos utilizados nessas atividades também acabam por poluir a água. A baixa eficiência das empresas de abastecimento se associa ao quadro de poluição: as perdas na rede de distribuição por roubos e vazamentos atingem entre 40% e 60%, além de 64% das empresas não coletarem o esgoto gerado. O saneamento básico não é implementado de forma adequada, já que 90% dos esgotos domésticos e 70% dos afluentes industriais são jogados sem tratamento nos rios, açudes e águas litorâneas, o que tem gerado um nível de degradação nunca imaginado.

Alternativas
A água disponível no território brasileiro é suficiente para as necessidades do País, apesar da degradação. Seria necessário, então, mais consciência por parte da população no uso da água e, por parte do governo, um maior cuidado com a questão do saneamento e abastecimento. Por exemplo, 90% das atividades modernas poderiam ser realizadas com água de reuso. Além de diminuir a pressão sobre a demanda, o custo dessa água é pelo menos 50% menor do que o preço da água fornecida pelas companhias de saneamento, porque não precisa passar por tratamento. Apesar de não ser própria para consumo humano, poderia ser usada, entre outras atividades, nas indústrias, na lavagem de áreas públicas e nas descargas sanitárias de condomínios. Além disso, as novas construções – casas, prédios, complexos industriais – poderiam incorporar sistemas de aproveitamento da água da chuva, para os usos gerais que não o consumo humano.
Após a Rio-92, especialistas observaram que as diretrizes e propostas para a preservação da água não avançaram muito e redigiram a Carta das águas doces no Brasil. Entre os tópicos abordados, ressaltam a importância de reverter o quadro de poluição, planejar o uso de forma sustentável com base na Agenda 21 e investir na capacitação técnica em recursos hídricos, saneamento e meio ambiente, além de viabilizar tecnologias apropriadas para as particularidades de cada região.

A água no mundo
A quantidade de água doce no mundo estocada em rios e lagos, pronta para o consumo, é suficiente para atender de 6 a 7 vezes o mínimo anual que cada habitante do Planeta precisa. Apesar de parecer abundante, esse recurso é escasso: representa apenas 0,3% do total de água no Planeta. O restante dos 2,5% de água doce está nos lençóis freáticos e aqüíferos, nas calotas polares, geleiras, neve permanente e outros reservatórios, como pântanos, por exemplo.
Se em termos globais a água doce é suficiente para todos, sua distribução é irregular no território. Os fluxos estão concentrados nas regiões intertropicais, que possuem 50% do escoamento das águas. Nas zonas temperadas, estão 48%, e nas zonas áridas e semi-áridas, apenas 2%. Além disso, as demandas de uso também são diferentes, sendo maiores nos países desenvolvidos.

O cenário de escassez se deve não apenas à irregularidade na distribuição da água e ao aumento das demandas - o que muitas vezes pode gerar conflitos de uso – mas também ao fato de que, nos últimos 50 anos, a degradação da qualidade da água aumentou em níveis alarmantes. Atualmente, grandes centros urbanos, industriais e áreas de desenvolvimento agrícola com grande uso de adubos químicos e agrotóxicos já enfrentam a falta de qualidade da água, o que pode gerar graves problemas de saúde pública.

*Os textos compilados nesta seção foram originalmente publicados no Almanaque Brasil Socioambiental, cuja primeira edição está esgotada. Uma nova edição está prevista para 2007.
http://www.socioambiental.org/esp/agua/pgn/

VIDA LONGA AO PLANETA TERRA


Mudanças de clima, aquecimento global e escassez de recursos naturais já são realidade, mas é possível fazer muito para diminuir o impacto da ação do homem no meio ambiente

A atual campanha da organização não governamental (ONG) Greenpeace, uma das mais conhecidas e atuantes na área do combate à degradação do meio ambiente, traz uma série de imagens de violentas, tempestades, furacões e maremotos - ao som de My Way (Meu Jeito), canção do músico norte-americano Frank Sinatra - enquanto estampa os seguintes dizeres: "Lembra quando a sua geração disse que queria mudar o mundo? Parabéns, vocês conseguiram". Trata-se de uma crítica mordaz, que acusa a humanidade de ser a responsável pelas reviravoltas climáticas e transformações no curso dos fenômenos naturais. A temática vem sendo discutida em seminários, comissões técnicas, na comunidade acadêmica e na sociedade civil e divulgada em documentários - como o ganhador do Oscar deste ano Uma Verdade Inconveniente, do ex-vice presidente norte-americano Al Gore, que alerta para a ameaça do aquecimento global -, peças publicitárias, como a citada acima e diversos outros meios. Ou seja, o mundo mudou mesmo, mas não se trata apenas de revoluções de pensamento e costumes. O planeta não se comporta mais como há 50 ou 60 anos. As chuvas estão mais violentas e imprevisíveis, o clima esquentou, a água potável ameaça acabar e as tais calotas polares, segundo alguns, correm o risco de derreter.
Diante da realidade inegável, o que os habitantes deste planeta doente podem fazer? Segundo o doutor em astrofísica Gylvan Meira Filho, no que diz respeito à mudança de clima há três opções: "Não fazer nada, evitar que o clima mude - mesmo que parcialmente, e isso só seria possível deixando de emitir tantos poluentes - ou se adaptar à própria mudança, isto é, tentar diminuir o prejuízo que isso causa". Meira Filho, que atuou como presidente do Painel sobre Metodologias de Linhas de Base da Junta Executiva do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Kyoto - negociação internacional, realizada em 1996 e 1997, sobre o que cada país pode fazer para amenizar as conseqüências das intervenções do homem no planeta -, das três hipóteses, a primeira, que diz respeito a simplesmente cruzar os braços é, sem dúvida, a menos indicada. "É necessário levar em consideração os danos causados por essas mudanças", afirma. "Danos que não vão ocorrer hoje, mas daqui a 50 anos." Ainda de acordo com o astrofísico, tais questões relacionadas ao meio ambiente "chegaram para ficar", e exigem contrapartida. "Todo mundo vai ter de levar isso em conta. Os governos federais são importantes porque negociam os tratados internacionais, mas quem vai realmente fazer as coisas não é nem tanto o governo. Afinal, ele não é responsável por toda a emissão [de gases]." A sociedade tem, portanto, de entrar em cena. "O caso é mostrar às pessoas que com 3 graus a mais na temperatura média ninguém vai 'fritar', mas isso muda a vida, muda o mundo", alerta o astrofísico. "Um fator a mais que só vai complicar a vida das pessoas."

MUDANÇA DE PARÂMETROS
Complicar de que forma? Bom, pode-se começar pelo modo como esse aquecimento "enlouquece" o planeta. "O que acontece é que [com o aquecimento climático] se põe mais energia na atmosfera, mais calor", explica o ambientalista Paulo Nogueira Neto, membro do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). "Com mais energia, os fenômenos atmosféricos ficam mais violentos. As ondas de frio e as tempestades ficam muito mais fortes." Entre os exemplos citados pelo ambientalista está a mudança de certas regiões do país. "Diferentemente do que acontecia há dez anos, hoje em dia, raramente você vê geadas no interior de São Paulo. O clima está esquentando, e não só aqui, no mundo inteiro."
Para o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, especialista em questões que envolvem a floresta amazônica, é importante que as pessoas se convençam de que ecologia não é um assunto que deva se restringir a segmentos especializados da sociedade. Em outras palavras, não se trata de apenas um tema, é um aspecto da vida da própria sociedade. "Hoje, sabemos que economia e ecologia são uma coisa só", afirma. "E que a sociedade existe dentro de parâmetros termodinâmicos, físicos, biológicos, botânicos, zoológicos, climáticos etc. Em suma, as sociedades são entidades materiais, que produzem efeitos materiais, e interferem no planeta." Ainda segundo Viveiros de Castro, modelos econômicos são determinantes no modo como se convive com o planeta, uma vez que influenciam diretamente o estilo de vida das pessoas. "O capitalismo terá de se adaptar a novas circunstâncias", analisa. "Vamos ter de diminuir a expectativa de consumo mundial." Para tanto, o antropólogo sugere que modelos antigos sejam rompidos. "Existe no Brasil, por parte de vários setores da população brasileira - a começar pela elite, pela burguesia e pelo governo -, a idéia de que quando crescermos seremos, ou deveríamos ser, como os Estados Unidos. É uma espécie de objetivo. Agora, como se sabe, se todo mundo vivesse como os norte-americanos, precisaríamos de seis planetas Terra para dar conta desse padrão de consumo." E arremata: "Não dá para ter três carros na garagem, não dá para consumir a quantidade de energia elétrica que se consome. A espécie humana inteira vai ter de viver de maneira mais modesta".
Como se pode ver, o alvo a ser atacado é o excesso: de conforto, como pegar o carro para ir até a padaria da esquina; de consumo, sobretudo daqueles produtos embalados com camadas e mais camadas de papel ou plástico; e do gasto de água e energia, como ocorre com mangueiras ligadas por tempo indeterminado e banhos muito longos. Algumas pessoas vêm, no seu dia-a-dia, fazendo escolhas mais responsáveis. "A consciência da população em relação ao meio ambiente cresceu muito nas últimas décadas", afirma o professor da Universidade de Sorocaba (Uniso) Marcos Reigota, autor de diversos livros sobre educação ambiental - entre eles Verde Cotidiano - O Meio Ambiente em Discussão (DP&A Editora, 2001). "Já temos uma geração ou duas com as questões ambientais inseridas no cotidiano." No entanto, de acordo com Reigota, muitas vezes, um aumento de ações "ambientalmente corretas" não significa que a sociedade esteja enfrentando o modelo de desenvolvimento econômico que ameaça a saúde do planeta. "Não podemos confundir o acesso a mais informação com a definição de conscientização de Paulo Freire, aquela que diz que o conhecimento provoca ações de mudança social, cultural e política", comenta. "Se aplicássemos essa noção 'freireana' [ao processo de educação ambiental], eu seria um pouco menos otimista."

FUTURO MELHOR
Tal comportamento não é exclusividade dos mais jovens. Mesmo pessoas de uma geração que cresceu numa época em que a palavra ecologia nem sequer existia estão buscando maneiras de ajudar. A aposentada Edite Fraga, de 59 anos, é um dos exemplos. Moradora do bairro da Vila Romana, Zona Oeste de São Paulo, dona Edite não conta com o serviço de coleta seletiva. Mesmo assim, arrumou meios de diminuir seu lixo e dar um destino diferente e mais útil às embalagens dos produtos que consome. "Leio muito jornal e sei que a gente precisa agir de forma diferente hoje em dia", conta. "Por isso, parei de jogar tudo fora como se fosse descartável. Procuro usar na cozinha todos os potinhos plásticos dos produtos de supermercado, mas, como não dá para acumular tudo, passei a lavá-los e guardá-los na área de serviço. Faço o mesmo com latinhas de refrigerantes, garrafas plásticas e papelão. Até o próprio jornal, que adoro ler todas as manhãs, não vai mais para a lixeira." Na falta do serviço que coletasse esse material, dona Edite descobriu uma igreja próxima a sua casa que mantém um trabalho social de intermediação entre esse lixo e os postos de reciclagem. "Isso foi há uns três anos, desde então, toda vez que minha área de serviço fica que eu mal consigo entrar, ligo para eles." A aposentada conta que às vezes passa seus apuros. "Nem sempre eles vêm assim tão rápido, aí fico com sacos e pilhas de papel lá esperando. Mas fazer o quê? Vou jogar fora? Não dá..." E não dá mesmo. Afinal são embalagens que chegam a levar séculos para ser absorvidas. Segundo dados da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, e que podem ser encontrados no site do Governo do Estado, o plástico "circula" por mais de 100 anos na natureza, latinhas de alumínio demoram mais de mil anos e o vidro leva mais de 10 mil anos para desaparecer.
A empregada doméstica Ana Paula da Silva Souza, de 30 anos, é uma boa representante do uso racional da água. É hábito seu há muitos anos reutilizar a que sobra da máquina de lavar para a limpeza do quintal ou mesmo do banheiro. Uma maneira, como ela diz, de economizar financeiramente e ainda garantir que o bem não falte para seus filhos no futuro. "A água é muito importante para nós", diz. "Tudo o que você faz precisa de água: cozinhar os alimentos, tomar banho. Eu sei que a água potável vai ser difícil daqui uns anos, não vai ter mais como a gente tem hoje. Isso já foi até tema de uma matéria da revista do centro budista que freqüento há mais de 14 anos." Ana Paula explica que o hábito foi herdado da mãe, que para gastar menos na conta fazia o mesmo. No seu caso, porém, a consciência de que se trata de um bem finito se somou à economia financeira, e a fez ampliar essa filosofia para o seu trabalho e para os vizinhos e amigos. "Eu não fico só no meu mundo", diz. "Sempre que vejo alguém jogando água na calçada, paro e pergunto por que não usar a da máquina." Há quem lhe pergunte por que ela tem a mesma postura na casa onde trabalha. "Mas não se trata de eu economizar para minha patroa ou não, a questão é a do gasto exagerado da água mesmo", garante. A preocupação em passar essa visão para os filhos também é constante. "Eles têm tendência a desperdiçar. Talvez porque fiquem muito tempo sozinhos, já que eu e meu marido trabalhamos o dia todo. Mas quando estou em casa faço marcação cerrada, fico dizendo 'desliga esse chuveiro, olha a água, tá gastando muito'."

Fonte: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?edicao_id=278&Artigo_ID=4302&IDCategoria=4909&reftype=2

Escassez dos recursos vai aumentar nas próximas décadas


O National Intelligence Council (NIC), um centro do pensamento estratégico do governo dos EUA, lançou o relatório “Global Trends 2025: A Transformed World “, onde refere que um “crescimento económico global sem precedentes – positivo em muitos aspectos – vai continuar a colocar pressão num conjunto de recursos altamente estratégicos, incluindo energia, alimentos, água, e a procura projectada vai facilmente ultrapassar os recursos disponíveis na próxima década e seguintes”.
O NIC identifica a escassez de recursos – terra, água, petróleo e alimentos, e, especialmente, o “ar” para as emissões de carbono – como a imagem de marca para o futuro do mundo. Onde a administração Bush via o modo de vida americano como não negociável, este relatório refere que uma mudança económica, social e cultural é fundamental e necessária.
Ao ler o relatório ficamos com dúvidas persistentes de que o mundo, e especialmente os EUA, será capaz de mudar rápido o suficiente. O NIC reconhece que uma transição energética do petróleo e gás precisa de estar “completa” em 2025. Mas os presidente dos EUA recém eleito, Barack Obama, espera que as emissões dos EUA estejam abaixo dos níveis de 1990 nessa data, uma meta que é menor que o necessário
Pelo menos 200 milhões de pessoas correm o risco de contrair doenças por comerem alimentos cultivados com recurso a água não tratada. A conclusão é de um estudo do Instituto de Gestão da Água Internacional, um órgão da ONU, que analisou o impacto da contaminação de alimentos com metais pesados e esgotos.
O problema é típico de muitos países menos desenvolvidos ou de rendimento intermédio, particularmente em países industrializados asiáticos, na África Sub-Sahariana e na América Latina. Havendo falta de água limpa, os agricultores utilizam água poluída, usualmente com a tolerância dos governos.
Este relatório vem reforçar o alerta da União Internacional para a Conservação da Natureza, que afirmou recentemente que os rios em todo o mundo estão gravemente poluídos, ao ponto de colapso iminente. Fonte: Guardian.

Lei punirá desperdiçador de água
Pode parecer esquisito o título, mas é isto mesmo! A Assembléia Legislativa de São Paulo aprovou o projeto de lei que prevê multa de R$ 1488,00 para quem for flagrado lavando calçadas, o carro ou aguando plnatas com a mangueira.
Para isto virar verdade, precisa apenas da sansão do governador. Ainda não foi definido quem fará esta fiscallização, o DAEE ou a Sabesp.
Alguns desafios que ficam na mente são: Se as companhias de abastecimento de água são as maiores desperdiçadoras de água no Brasil, como ficará? Elas também serão autadas? Se a Sabesp for a fiscalizadora, como fará com as perdas na rede de água em Sampa, que chegam a 30,8% da água tratada?

Qual o VALOR da água ?
Os favelados em Dar es Salaam pagam o equivalente a US$ 8 por 1.000 litros de água, comprados ao longo de um período de tempo e por lata. Na mesma cidade na Tanzânia, lares mais ricos ligados à rede de abastecimento municipal recebem a mesma quantidade por apenas 34 centavos de dólar. No Reino Unido, o mesmo volume de água custa US$ 1,62 enquanto nos Estados Unidos custa 68 centavos.
Os números de outros países confirmam a evidência: geralmente são os mais pobres que pagam mais por aquele que é o mais essencial de todos os recursos naturais. A água é escassa para uma grande parcela da população mundial: cerca de 1 bilhão de pessoas carecem de acesso à água limpa e 2,6 bilhões não dispõem de saneamento básico. Cerca de 5 mil crianças morrem diariamente por doenças ligadas à água, segundo a WaterAid, uma entidade beneficente com sede em Londres.
Se o número de pessoas que carecem de água potável segura fosse reduzido pela metade, ao custo de cerca de US$ 10 bilhões, o mundo se beneficiaria com US$ 38 bilhões de crescimento econômico anual, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). As disputas em torno dos direitos de água podem, segundo o Pnud, levar a conflitos -como em Darfur.
“A água absolutamente não possui um preço justo nem realista. Portanto as pessoas usam a água como se fosse um recurso gratuito para sempre. Este é o motivo para estarmos ficando sem água”, disse Peter Brabeck-Letmathe, executivo-chefe da Nestlé, o grupo alimentício. Ele alerta para uma crise iminente na qual as empresas lutarão para encontrar a água que precisam e serão forçadas a pagar muito mais caro por ela, se mais não for feito para conservar o recurso e distribuí-lo mais racionalmente.

Saiba como economizar água na sua casa


Nem sempre as causas da escassez de recursos naturais no planeta têm origem em decisões perversas da política e em interesses financeiros. Cada um de nós também tem sua parcela de culpa. E quando o assunto é o uso da água como recurso natural, essa culpa é bem grande. Veja algumas dicas de como não desperdiçar um bem tão precioso nas diversas atividades dentro da própria casa.

Vazamentos
Uma torneira mal fechada pode desperdiçar 46 litros de água em um dia. Com uma abertura de 1 ml, o fiozinho de água escorrendo será responsável pela perda de 2068 litros de água em 24 horas. No caso de vazamentos em vasos sanitários, verifique se há água escorrendo. Para isso, jogue cinzas, talco ou outro pó fino no fundo da privada e observe por alguns minutos. Se houver movimentação do pó ou se ela sumir, há vazamento. Outra forma de detectar um vazamento é através do hidrômetro (ou relógio de água) da casa. Para tanto, siga os seguintes passos:

1. Feche todas as torneiras e desligue os aparelhos que usam água na casa (só não feche os registros na parede, que alimentam as saídas de água).

2. Anote o número indicado no hidrômetro e confira depois de algumas horas para ver se houve alteração ou observe o círculo existente no meio do medidor (meia-lua, gravatinha, circunferência dentada) para ver se continua girando.

3. Se houver alteração nos números ou movimento do medidor, há vazamento.

4. Caso seja viável, instale redutores de vazão em torneiras e chuveiro.

Banho
Ao ensaboar-se, feche as torneiras. Não deixe a torneira aberta enquanto ensaboa as mãos, escova os dentes ou faz a barba. Evite banhos demorados. Reduzindo 1 minuto do seu banho você pode economizar de 3 a 6 litros de água. Imagine numa cidade onde vivem aproximadamente 2 milhões de habitantes. Poderíamos ter uma economia de, no mínimo, 6 milhões de litros.

Vaso sanitário
Quando construir ou reformar, dê preferência às caixas de descarga no lugar das válvulas; ou utilize aquelas de volume reduzido. Não deixe a descarga do banheiro disparar (no caso de acionados por válvulas).

Torneiras
Instale torneiras com aerador ("peneirinhas" ou "telinhas" na saída da água). Ele dá a sensação de maior vazão, mas, na verdade, faz exatamente o contrário.

Louça
Lave as louças em uma bacia com água e sabão e abra a torneira só para enxaguar. Use uma bacia ou a própria cuba da pia para deixar os pratos e talheres de molho por alguns minutos antes da lavagem, pois isto ajuda a soltar a sujeira. Utilize água corrente somente para enxaguar.
Verduras
Para lavar verduras use também uma bacia para deixá-las de molho (pode ser inclusive com algumas gotas de vinagre), passando-as depois por um pouco de água corrente para terminar de limpá-las.

Roupa
Lave de uma vez toda a roupa acumulada. Deixar as roupas de molho por algum tempo antes de lavar também ajuda. Ao esfregar a roupa com sabão, use um balde com água, que pode ser a mesma usada para manter a roupa de molho. Enquanto isso, mantenha a torneira do tanque fechada. Enxagüe também utilizando o balde e não água corrente. Se você tiver máquina de lavar, use-a sempre com a carga máxima e tome cuidado com o excesso de sabão para evitar um número maior de enxágües. Caso opte por comprar uma lavadora, prefira as de abertura frontal que gastam menos água que as de abertura superior.

Jardins e plantas
Regar jardins e plantas durante 10 minutos significa um gasto de 186 litros. Você pode economizar 96 litros se tomar estes cuidados:

- Regue o jardim durante o verão pela manhã ou à noite, o que reduz a perda por evaporação;

- Durante o inverno, regue o jardim em dias alternados e prefira o período da manhã;

- Use uma mangueira com esguicho tipo revólver;

- Cultive plantas que necessitam de pouca água (bromélias, cactos, pinheiros, violetas);

- Molhe a base das plantas, não as folhas;

- Utilize cobertura morta (folhas, palha) sobre a terra de canteiros e jardins. Isso diminui a perda de água;

Água da chuva
Aproveite sempre que possível a água de chuva. Você pode armazená-la em recipientes colocados na saída das calhas ou na beirada do telhado e depois usá-la para regar as plantas. Só não se esqueça de deixá-los tampados depois para que não se tornem focos de mosquito da dengue!

Carro
Substitua a mangueira por um balde com pano para retirar a sujeira do veículo. Lavar o carro com a torneira aberta é uma das piores e mais comuns maneiras de desperdiçar água.

Calçada
Evite lavar a calçada. Limpe-a com uma vassoura, ou lave-a com a água já usada na lavagem das roupas. Utilize o resto da água com sabão para lavar o seu quintal. Depois, se quiser, jogue um pouco de água no chão, somente para "baixar a poeira". Para isto, você pode usar aquela água que sobrou do tanque ou máquina de lavar roupas.

Mobilize seus amigos e vizinhos
Se você more em apartamento, estimule seus vizinhos a economizar água e cobre vistorias do condomínio. Assim você gasta menos e ainda ajuda o meio ambiente.

Fonte: Idec.org.br
maryvillano.blogspot.com/2009/03/saiba-como-e...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

http://www.renovaveis.tecnopt.com

Energias Renováveis – o que são e porque utilizá-las


As energias renováveis são provenientes de ciclos naturais de conversão da radiação solar, que é a fonte primária de quase toda energia disponível na terra. Por isso, são praticamente inesgotáveis e não alteram o balanço térmico do planeta. As formas ou manifestações mais conhecidas são: a energia solar, a energia eólica, a biomassa e a hidroenergia. As principais características por tipo são:

Energia Solar – energia da radiação solar direta, que pode ser aproveitada de diversas formas através de diversos tipos de conversão, permitindo seu uso em aplicações térmicas em geral, obtenção de força motriz diversa, obtenção de eletricidade e de energia química.

Energia Eólica - energia cinética das massas de ar provocadas pelo aquecimento desigual na superfície do planeta. Além da radiação solar também têm participação na sua formação fenômenos geofísicos como: rotação da terra, marés atmosféricas e outros.
Os cata-ventos e embarcações a vela são formas bastante antigas de seu aproveitamento. Os aerogeradores modernos de tecnologia recente têm se firmado como uma forte alternativa na composição da matriz energética de diversos países.

Biomassa - a energia química, produzida pelas plantas na forma de hidratos de carbono através da fotossíntese - processo que utiliza a radiação solar como fonte energética - é distribuída e armazenada nos corpos dos seres vivos graças a grande cadeia alimentar, onde a base primária são os vegetais. Plantas, animais e seus derivados são biomassa. Sua utilização como combustível pode ser feita das suas formas primárias ou derivados: madeira bruta, resíduos florestais, excrementos animais, carvão vegetal, álcool, óleos animal ou vegetal, gaseificação de madeira, biogás etc.

Hidroenergia - energia cinética das massas de água dos rios, que fluem de altitudes elevadas para os mares e oceanos graças a força gravitacional. Este fluxo é alimentado em ciclo reverso graças a evaporação da água, elevação e transporte do vapor em forma de nuvens, naturalmente realizados pela radiação solar e pelos ventos. A fase se completa com a precipitação das chuvas nos locais de maior altitude. Sua utilização é bastante antiga e uma das formas mais primitiva é o monjolo e a roda dágua. A hidroenergia também pode ser vista como forma de energia potencial; volume de água armazenada nas barragens rio acima. As grandes hidrelétricas se valem das barragens para compensar as variações sazonais do fluxo dos rios e, através do controle por comportas, permitir modulação da potência instantânea gerada nas turbinas.

BENEFÍCIOS NA UTILIZAÇÃO DAS ENERGIAS RENOVÁVEIS

Segundo Wolfgang Palz no seu livro Energia Solar e Fontes Alternativas, a energia solar recebida pela terra a cada ano é dez vezes superior a contida em toda a reserva de combustíveis fósseis. Mas, atualmente a maior parte da energia utilizada pela humanidade provém de combustíveis fósseis - Petróleo, carvão mineral, xisto etc. A vida moderna tem sido movida a custa de recursos esgotáveis que levaram milhões de anos para se formar. O uso desses combustíveis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do Planeta provocando o aquecimento global, degelo nos pólos, chuvas ácidas e envenenamento da atmosfera e todo meio-ambiente. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro próximo, são catastróficas. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como solução definitiva, já mostraram que só podem piorar a situação. Com certeza, ou buscamos soluções limpas e ambientalmente corretas ou seremos obrigados a mudar nossos hábitos e costumes de maneira traumática.
A utilização das energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis é uma direção viável e vantajosa. Pois, além de serem praticamente inesgotáveis, as energias renováveis podem apresentar impacto ambiental muito baixo ou quase nulo, sem afetar o balanço térmico ou composição atmosférica do planeta.
Graças aos diversos tipos de manifestação, disponibilidade de larga abrangência geográfica e variadas possibilidades de conversão, as renováveis são bastante próprias para geração distribuída e ou autônoma. O desenvolvimento das tecnologias para o aproveitamento das renováveis poderão beneficiar comunidades rurais e regiões afastadas bem como a produção agrícola através da autonomia energética e conseqüente melhoria global da qualidade de vida dos habitantes. Certamente diminuiria o êxodo rural e a má distribuição de renda, dos quais nosso país tem péssimos quadros. Infelizmente, o Brasil tem investido muito pouco no desenvolvimento de tecnologias de aproveitamento dessas fontes, das quais é um dos maiores detentores em nível mundial. Fica a pergunta: Até quando seremos "o país do futuro" se não investirmos nele?

Fonte:http://www.aondevamos.eng.br/textos/texto08.htm

http://www.seplan.go.gov.br/energias/down/apresentacoes/energias%20renov%C3%A1veis%20no%20brasil%20laura%20porto.pdf

Água - A economia que faz sentido


Ao colocar a teoria em prática e reduzir o consumo do precioso líquido, a garotada compreende as campanhas contra o desperdício.
A água é um recurso finito e não tão abundante quanto pode parecer; por isso deve ser economizada. Essa é uma noção que só começou a ser difundida nos últimos anos, à medida que os racionamentos se tornaram mais urgentes e necessários, até mesmo no Brasil, que é um dos países com maior quantidade de reservas hídricas — cerca de 15% do total da água doce do planeta. Não é por acaso que cada vez mais pessoas e organizações estão se unindo em defesa de seu uso racional. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), no século 20 o uso da água cresceu duas vezes mais que a população. A situação é tão preocupante que existe quem preveja uma guerra mundial originada por disputas em torno do precioso líquido.
Para não se chegar a esse ponto, a saída é poupar — e o esforço tem de ser coletivo. "São questões de comportamento e atitude que se encontram no centro da crise", diz o relatório da ONU sobre água no mundo. Muitas vezes as crianças têm maior consciência do problema do que seus pais, graças às escolas. O momento atual é muito oportuno para investir ainda mais no trabalho em sala de aula, porque a discussão está na ordem do dia. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) escolheu a água como tema da Campanha da Fraternidade de 2004 e o governo federal instituiu o Sede Zero, um programa vinculado ao Fome Zero.

Seca e pobreza

Em âmbito mundial, a ONU determinou o período entre 2005 e 2015 como Década Internacional da Água pela Vida. No próximo ano, os líderes políticos mundiais devem apresentar um plano de administração dos recursos hídricos do planeta. Em 2015 pretende-se atingir a meta de reduzir à metade (em relação a 2000) o número de pessoas sem acesso a água de boa qualidade, que hoje supera 1 bilhão — cerca de um sexto da população global. No Brasil, prefeituras de 19 regiões metropolitanas enfrentam dificuldades de fornecimento.
A idéia de que sobra água no mundo se deve ao fato de que ela ocupa 70% da superfície terrestre. Mas 97,5% deste total é constituído de água salgada. Dois terços do restante se encontram em forma de gelo, nas calotas polares e no topo de montanhas. Se considerarmos só o estoque de água doce renovável pelas chuvas, chegamos a 0,002% do total mundial.
Mesmo a suposta fartura hídrica do Brasil é relativa. A região Nordeste, com 29% da população, conta com apenas 3% da água, enquanto o Norte, com 7% dos habitantes, tem 68% dos recursos. Até na Amazônia, pela precária infra-estrutura, há pessoas não atendidas pela rede de distribuição. Portanto, a questão muitas vezes não se resume à existência de água, mas às condições de acesso a um bem que deveria ser universal.
Somados os dois problemas, resulta que 40% da população mundial não conta com abastecimento de qualidade. Cinco milhões de crianças morrem por ano de doenças relacionadas a escassez ou contaminação da água. Sujeira é o que não falta: 2 milhões de toneladas de detritos são despejadas em lagos, rios e mares no mundo todo dia, incluindo lixo químico e industrial, dejetos humanos e resíduos de agrotóxicos.

O papel da educação

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) citam a importância de um projeto educacional para a preservação dos recursos naturais. Segundo suas diretrizes, é essencial falar sobre a economia de água, abordando hábitos na escola e em casa. Exemplo: uma torneira aberta enquanto se escova os dentes leva ao desperdício de até 50 litros de água tratada.
Mesmo com a orientação, na maioria das escolas não se desenvolvem programas de uso racional desse recurso. "Os professores têm dificuldade de perceber as relações da teoria com o uso da água no cotidiano", afirma a consultora Sonia Muhringer, uma das autoras dos Parâmetros em Ação na área de Meio Ambiente. Para ela, outra falha no ensino do tema é tratá-lo sob um só aspecto. "Devia-se falar sobre esse assunto de forma interdisciplinar, não apenas em Ciências mas também em Matemática, História e sob o enfoque da ética."
O engenheiro Flávio Augusto Scherer concluiu em agosto do ano passado uma tese na Universidade de São Paulo (USP) e comprovou a falta de programas de conscientização do uso da água nas escolas brasileiras. "Dá para contar nos dedos as que adotaram algum projeto", afirma o especialista. O estudo contém orientações para as escolas obterem bons resultados com atividades nesse sentido (leia quadro abaixo).
Tão importante quanto a mudança nas instalações hidráulicas, na opinião de Scherer, é o investimento na capacitação de professores, diretores e funcionários. Somente se estiverem bem preparados os educadores podem agir de modo eficiente na formação de uma cultura contra o desperdício. Um dos projetos que Scherer considera exemplar é o do Centro Educacional São Camilo, em Cachoeiro do Itapemirim (ES).
A escola contou com a consultoria da organização não governamental Água e Cidade, de Curitiba. A ONG fornece aos alunos revistas em quadrinhos contra o desperdício de água enquanto os professores recebem um manual e passam por um curso de 20 horas para saber como transformar conhecimentos teóricos em exemplos práticos a serem apresentados na sala de aula. "A idéia do projeto é orientar o professor a aplicar o tema da água no cotidiano", diz Noemia Frison, gerente nacional da Água e Cidade.
No São Camilo, o programa batizado de Gota d'Água começou em 2002. A coordenação do projeto fez uma parceria com empresas privadas para a troca de torneiras manuais por automáticas nas pias e nos mictórios e a colocação de caixa acoplada nos vasos sanitários. "Em cinco meses, o consumo de água tinha baixado em 60%", diz a diretora Eliane Bettecher. A marca, contudo, é resultado muito mais do trabalho de mobilização feito pelos funcionários e alunos do que da troca de equipamentos. Os professores basearam o projeto nas dúvidas e necessidades apresentadas pelas turmas, que orientaram o programa para todas as classes, da Educação Infantil ao Ensino Médio. As atividades envolveram várias disciplinas, entre elas Matemática, Ciências e História.

Informação e criatividade

Na prática, a garotada passou primeiro por uma familiarização com a questão da água. Crianças e jovens acompanharam a medição do consumo nos hidrômetros e fizeram cartazes com avisos contra o desperdício. Em seguida, a criatividade entrou em campo. As classes de Educação Infantil participaram de um espetáculo de dança. As da 6ª e 7ª série e do Ensino Médio montaram uma peça de teatro. Estas últimas ficaram responsáveis ainda pela criação de um mural com poesias e pela composição do samba-enredo do bloco da escola, o Acadêmicos do São Camilo, apresentado no desfile carnavalesco da cidade do ano passado.
A coordenadora do programa, Adriana Penedo, diz que alguns jovens tiveram como desafio enfrentar a cultura do desperdício trazida de casa. Hoje o programa ganhou adesão de praticamente toda a garotada e expandiu-se para as famílias. Anualmente, o colégio promove a Gincana SOS Água, durante a qual se acompanha a conta de água da casa dos alunos por seis meses. As 6ª e 7ª séries analisam os boletos residenciais e da escola, com gráficos.
O programa do São Camilo atingiu a comunidade também com panfletagem nas ruas. O projeto se estendeu para outros 34 colégios públicos e particulares de Cachoeiro do Itapemirim, sob coordenação da escola. Os moradores de cidades próximas presenciaram palestras sobre economia de água, ministradas pela turmas do Ensino Médio.

Conscientização precede reformas

Em São Paulo, a Escola Estadual Oscar Thompson criou um programa educacional integrado para a economia de água. Em Ciências, as classes de 5ª a 8ª séries selecionaram fotos sobre o tema e analisaram a música Planeta Água, de Guilherme Arantes. A interpretação de gráficos e cálculos de porcentagem do consumo de água da casa dos alunos foram assunto das aulas de Matemática. Em Artes, a garotada elaborou o logotipo do programa. Na aula de Língua Portuguesa, a turma leu reportagem sobre o tema e escreveu uma redação. Em Geografia e História, os professores vão abordar fluxos migratórios, já que muitos brasileiros saem de suas regiões por causa de fenômenos ligados à água, como a seca nordestina.
Revisão hidráulica
Para que a escola economize água, a primeira providência sugerida pelo engenheiro Flávio Augusto Scherer é a revisão do sistema hidráulico do prédio. Assim é possível identificar possíveis vazamentos. Segundo o professor Orestes Gonçalves, do Programa de Uso Racional da Água (Pura) da USP, um bom método é separar os hidrômetros de cada ambiente, para determinar com mais clareza onde há desperdício e como enfrentá-lo. O trabalho exige mão-de-obra qualificada. A segunda medida possível é a troca de peças tradicionais por modelos que economizam.

Conheça equipamentos indicados pelo engenheiro Ricardo Chain, da Sabesp, e por Orestes Gonçalves.

• Arejador: Rosca interna adicionada à torneira que libera água e ar ao mesmo tempo e torna a vazão constante. Em caso de torneiras de alta pressão, a economia chega a 90%. Custa em média15 reais.
• Torneira de fecho automático: Fica aberta por um curto período de tempo, permitindo diminuir o consumo em 20%. Custa cerca de 135 reais.
• Torneira de fecho eletrônico: Equipamento regulado por sensor, que economiza o dobro de uma torneira automática. Custa no mínimo 400 reais.
• Válvula de descarga automática para mictório: Equipamento instalado em banheiros masculinos, que fecha sozinho. A economia é de 50% em relação a uma descarga convencional. Custa em média 135 reais.
• Bacia sanitária acoplada com caixa d'água: Libera apenas seis litros de água por descarga, reduzindo o consumo em 50%. Custa cerca de 110 reais.
• Regulador de vazão: Diminui a quantidade de água liberada pelo chuveiro. É recomendado para sistemas com aquecimento central. Economiza 60%. Custa 15 reais.

Carros elétricos, flex e novas tecnologias na recuperação do setor automotivo



Carros elétricos, flex e novas tecnologias na recuperação do setor automotivo
Queda da produção global de veículos leves, mas incremento de híbridos, elétricos a bateria e dos movidos a biocombustível
15/04/09 - Automotive Business*
O desenvolvimento de tecnologias para reduzir emissões e aumentar a eficiência energética tornou-se regra para os fabricantes de veículos elevarem a competitividade das marcas a partir de agora. O alerta veio de especialistas que participaram dia 13 de abril, em São Paulo, do Simpósio SAE Brasil de Novas Tecnologias na Indústria Automobilística.
Jaime Ardila, presidente da General Motors para o Mercosul, enfatizou a importância dos carros híbridos e elétricos para o futuro da matriz norte-americana. A montadora possui hoje oito projetos inovadores nessa área e lançará em 2010 o elétrico Volt, que utiliza baterias recarregáveis. O executivo destacou que o Brasil é considerado o terceiro maior mercado no mundo para a GM, atrás da China e dos Estados Unidos. Ele estima que a produção local da empresa poderá alcançar um milhão de veículos até 2015.
“Até 2012 toda a linha de veículos será renovada, com o suporte do centro de tecnologia no Brasil, que é um dos cinco que a corporação possui em todo o mundo”, afirmou. Ardila confirmou a manutenção de investimentos de US$ 1,5 bilhão no Brasil, em novos produtos e projetos como a fábrica de motores em Joinville, SC. Ele projeta a produção de 2,7 milhões de veículos no País este ano e garante que a operação da GM vai ganhar dinheiro na região.

Elétricos da Fiat e Mitsubishi

Carlos Eugênio Fonseca Dutra, diretor de Planejamento e Estratégia de Produto da Fiat Automóveis, destacou o projeto do Pálio elétrico, que envolve a produção de 50 unidades em parceria com concessionárias de energia até 2010.
“Apesar de ainda não ser viável a fabricação do carro em larga escala, já que ele custaria cerca de R$ 70 mil, o programa permite o desenvolvimento de tecnologias”, explicou. Reinaldo Muratori, diretor de Engenharia da Mitsubishi no Brasil, apresentou o projeto do elétrico i-MiEV, desenvolvido no Japão. “Trata-se de uma solução para uso urbano viável a curto prazo, com emissões próximas de zero e custo operacional inferior a carros equipados com motores a combustão” - afirmou. Já existem 200 unidades do veículo rodando no Japão e no Brasil a previsão é testar o modelo em 2010.

Carro verde da VW

José Luiz Loureiro, gerente executivo de Engenharia de Veículos da Volkswagen, apresentou o conceito BlueMotion, que responde a questões como eficiência, baixo consumo e redução de emissões. “É um pacote de soluções para carros ecologicamente corretos”, destacou. O Polo, que será produzido dentro desse conceito, ficou 26 kg mais leve, traz relações de transmissões alongadas e sistema de direção elétrico-hidráulico, que diminui consumo. Foram escolhidos pneus ‘verdes’ para o veículo, que garantem menor resistência à rolagem. “É um carro de nicho e a receita já está disponível”, disse o diretor da Volkswagen, que pretende produzir 300 unidades do veículo por ano.

Novidades de sistemistas

Besaliel Botelho, vice-presidente da Bosch, lembrou que o Brasil avança com o sistema flex e agora parte para eliminar o tanque suplementar de gasolina para permitir a partida a frio. A Bosch investe de 7 a 8% do faturamento em inovação tecnológica e participou ativamente no desenvolvimento do Nano. Gábor Deák, presidente da Delphi, reconheceu os híbridos como tendência internacional de economia de combustível e apontou que a redução do IPI aqueceu mais as vendas dos carros grandes e importados do que dos populares, com motor de um litro.
Virgílio Cerutti, presidente da Magneti Marelli, afirmou que Brasil comporta espaço para crescimento da frota. “O Brasil está preparado para absorver veículos com maior conteúdo e promoverá um ‘up grade’ tecnológico nos próximos anos”, disse.

Projeções globais

Marcelo Cioffi, sócio da PriceWaterHouse Coopers, apresentou um estudo sobre megatendências globais que vão causar impacto sobre a cadeia automotiva, como declínio global do mercado, viabilidade de negócios, preservação do meio ambiente, regulamentação e expansão dos BRICs. Para o consultor, a crise internacional deve reduzir a produção global de veículos leves para 54,9 milhões em 2009 – o nível mais baixo desde 1999.
“A falta de recursos e crédito no varejo está atingindo as montadoras”, disse Cioffi. O executivo acredita que a indústria concentrará atenção em projetos de pesquisa e desenvolvimento capazes de trazer maior retorno. Ele assegura que Brasil, China e Índia devem ser os países menos afetados pela crise e acredita que os Estados Unidos possam se recuperar mais depressa do que os demais.

Financiando a inovação

Haroldo Prates, chefe do Departamento da Indústria Pesada do BNDES, disse que o setor automotivo é um investidor expressivo na área de inovação. Em 2008, o banco destinou R$ 4,6 bilhões a projetos automotivos. “O banco oferece recursos subsidiados a empresas para estimular a pesquisa e desenvolvimento por meio de duas linhas: de apoio à inovação tecnológica e outra ao capital inovador", informou.

Novidades das montadoras

Ricardo Munerato, advanced engineering manager da Ford, acredita que produto ‘velho’ não tem mais espaço e o ideal é preservar os centros de criação para as empresas sobreviverem e se fortalecerem internamente. “Temos de trabalhar em inovação e encontrar formas de continuar investindo”, aconselhou.
Mauro Simões, gerente de Engenharia da Volkswagen Caminhões e Ônibus, apresentou soluções para veículos comerciais que trabalham na área urbana, como transmissões automatizadas e transmissões híbridas. Ele aposta no avanço dos biocombustíveis como solução para diminuir as emissões. Já Marc Barral, diretor de Engenharia da Renault, apresentou no simpósio soluções inovadoras como o Active Drive, implantado no novo Laguna para facilitar manobras de estacionamento e melhorar a segurança ativa.

* Fonte: http://www.automotivebusiness.com.br/noticia_det.asp?id_noticia=3333

Ônibus sem poluentes


Ônibus brasileiro movido a hidrogênio começa a rodar em São Paulo
O primeiro ônibus brasileiro equipado com células a combustível a hidrogênio foi fabricado em Caxias do Sul e começará a rodar na cidade de São Paulo ainda neste mês de abril
09/04/09 - Redação do Site Inovação Tecnológica
O hidrogênio é considerado o combustível mais promissor quando se estudam alternativas ao petróleo para uso em transportes. A célula a combustível é um dispositivo que utiliza o hidrogênio para gerar eletricidade. A eletricidade alimenta os motores elétricos do veículo, emitindo apenas água como subproduto - não há poluentes.
O primeiro ônibus movido a célula de combustível a hidrogênio tem 12 metros de comprimento, capacidade para até 63 passageiros (1 motorista / 29 sentados / 32 em pé / 1 cadeirante), ar-condicionado e piso baixo para maior conforto e segurança dos passageiros.

Sistema igual ao da Fórmula 1

A tração elétrica do ônibus é alimentada de forma híbrida, usando tanto a energia de baterias recarregáveis quanto a eletricidade provinda das células a combustível. Ele possui ainda um sistema regenerativo para recuperação de energia cinética durante as frenagens (KERS), o mesmo sistema utilizado nos carros de Fórmula 1.
A potência total do sistema é de 230 kW e o consumo de hidrogênio deverá ficar em cerca de 15 quilogramas para cada 100 quilômetros rodados. A autonomia do ônibus a hidrogênio é de 300 km.
O combustível para o ônibus - o hidrogênio - será produzido em São Bernardo do Campo, por meio de uma parceria com a Petrobras. O hidrogênio é produzido por eletrolisadores da água, que têm a função de separar as moléculas de oxigênio e hidrogênio, aproveitando este último como combustível.

Vilão

Embora os projetos de veículos movidos a hidrogênio tenham sido alvo de grande interesse no período recente, quando o petróleo superou a barreira dos US$100,00 por vários meses, a queda atual do preço do barril torna economicamente inviáveis todas as alternativas disponíveis para sua substituição em veículos.
Ainda assim, o uso do hidrogênio como combustível é uma alternativa interessante do ponto de vista ambiental e as pesquisas devem continuar para que se possa baratear a tecnologia e chegar a opções mais interessantes também do ponto de vista econômico.

Hidrogênio de fontes sujas

Outro grande problema dos veículos a hidrogênio é a produção do hidrogênio. A eletrólise da água é um processo intensivo em energia, tornando o combustível caro demais e deixando negativo o balanço geral de consumo de energia dessa alternativa de combustível.
Além disso, a maioria do hidrogênio produzido industrialmente hoje no mundo é fabricado a partir do gás natural, um combustível fóssil como o petróleo.
Uma das alternativas mais promissoras para resolver esse impasse é a chamada "fotossíntese artificial", por meio da qual os cientistas estão tentando produzir hidrogênio com a utilização da luz solar.

Ônibus nacional movido a hidrogênio

O primeiro ônibus nacional movido a hidrogênio vai trafegar no Corredor Metropolitano ABD (São Mateus - Jabaquara), um ponto ideal para este tipo de experimento devido à alta concentração de emissões.
Além disso, na via exclusiva o veículo pode desenvolver velocidade média superior a 25 km/h, o que favorece atingir rapidamente a quilometragem que permite avaliar seu desempenho de forma mais aproximada. Este trabalho será feito ao longo de 2009 e 2010.

Tecnologia nacional

O projeto de construções de ônibus a hidrogênio no Brasil é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e conta com a parceria da EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, de São Paulo), a GEF (Global Environment Facility) e da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos).
Este é o primeiro de quatro ônibus a hidrogênio previstos no projeto.
O Brasil é o quarto país no mundo a deter a tecnologia de fabricação de ônibus de transporte de passageiros movido a hidrogênio (os outros são os EUA, Alemanha e China).

Bicicletas lutam por espaço nas ruas da China


Rainha das ruas de Pequim durante anos, a bicicleta briga para manter seu espaço nas ruas já dominadas pelos carros, que vieram com o desenvolvimento tardio do país e crescimento do poder aquisitivo da população.
De 1995 a 2005, a frota de bicicletas na China caiu 35%, de 670 milhões para 435 milhões, enquanto que os carros privados mais que dobraram, de 4,2 milhões para 8,9 milhões.
Diariamente, entram em circulação na capital, Pequim, mil novos carros, em média. E as perspectivas não são boas. As autoridades locais acreditam que o número de automóveis continuará crescendo cerca de 10% ao ano ao longo das próximas décadas.
A proporção de carros por habitantes na cidade é praticamente a mesma de São Paulo. Com mais de 11 milhões de pessoas, Pequim tem uma frota de 3,29 milhões de carros, cerca de 3,3 habitantes por veículo. A capital paulista possui quase 19 milhões de habitantes e mais de 6 milhões de automóveis, uma relação de 3,1 moradores por carro.
A opção de transporte sobre duas rodas, no entanto, ainda se mantém popular no país das Olimpíadas, maior produtor de bicicletas do mundo. Apesar do declínio de 3,6% das vendas em 2007, a China ainda é o maior mercado mundial de bicicletas, com 28 milhões de unidades vendidas no ano passado.
Medidas emergências pré-Olimpíadas
As medidas recentes adotadas pelo governo de Pequim de reduzir o uso de carro nas ruas tem inclusive incentivado alguns motoristas a tirarem as bicicletas da garagem. Segundo a agência de notícias Xinhua, uma pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas de Opinião Pública e Fatos Sociais da cidade mostra que 24% dos motoristas adotaram a ‘magrela’ desde o início das restrições, no dia 20 de julho.
Em 2006, existiam 881 fabricantes de bicicletas na China, que produziram mais de 67 milhões de bicicletas normais e elétricas. Em termos de novos mercados, a China ainda tem boas prospecções. Dados do chnci.com mostram que, atualmente, a produção anual global de bicicletas é de 120 a 130 milhões de unidades, com uma demanda de 100 a 120 milhões.

Brasil e o uso de bicicletas nas cidades

O Brasil, apesar do potencial de utilização deste meio de transporte, está longe da realidade chinesa. Somente o total de bicicletas vendidas na China em 2007 representa um terço da frota brasileira, calculada em cerca de 75 milhões, segundo dados do Ministério das Cidades, de abril de 2007.
Em fins de 2004, o Brasil era o terceiro maior fabricante mundial de bicicletas, com cerca de 5,5 milhões de unidades, praticamente a metade da produção do segundo colocado, a Índia, com 10 milhões, conforme dados da Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo).
O pouco valor dado à bicicleta como alternativa de transporte tem levado o Brasil a investir poucos recursos em infra-estrutura nesta área. Enquanto países como a Holanda tem mais de 16 mil quilômetros de infra-estrutura cicloviária, somente em estradas, e mais de 18 mil quilômetros em suas cidades, o Brasil tem apenas 2,5 mil quilômetros.
“Isto representa que um país com um quinto do território do Estado de Santa Catarina, consegue ter quatorze vezes mais infra-estrutura neste campo do que o Brasil, com 8,5 milhões de km²”, destaca o caderno 1 da coleção Bicicleta Brasil, do Programa Brasileiro de Mobilidade por Bicicleta, do Ministério das Cidades.
Segundo informações da Secretaria Nacional de Transporte e da Mobilidade Urbana, desde 2003 foram investidos cerca de R$ 4,7 milhões em infra-estrutura em 25 cidades, através do Programa Bicicleta Brasil. Os municípios que mais utilizaram recursos foram Palmas (TO), Amparo (SP) e Aracaju (SP). As maiores redes cicloviárias brasileiras estão no Rio de Janeiro (RJ), com 140 km; Curitiba (PR), com 120 km, e em Colombo (PR), com 95 km.
O diretor do Centro de Transporte Sustentável (CTS) do Brasil, Luis Antonio Lindau, chama a atenção para o problema do transporte urbano como um todo. O sistema de infra-estrutura para ciclistas no país consegue ser cinco vezes maior que o de corredores de ônibus. “O que discutimos hoje mundialmente é a integração do uso da bicicleta com o transporte coletivo”, afirma, lembrando que Porto Alegre tem uma proposta de plano diretor cicloviário de 400 km.
Além da infra-estrutura, porém, fatores culturais, educacionais e de segurança não contribuem para o uso da bicicleta no país, na opinião da arquiteta Vera Lúcia Gonçalves, do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF). “Muita gente não a usa por causa da velocidade dos automóveis, conflitos com ônibus, ausência de espaço seguro para estacionar e conflitos com o pedestre”, afirma.
Fonte:www.carbonobrasil.com/?id=608686

Meios de transporte são responsáveis por 90% da poluição em SP
Os mais atingidos são as crianças e os idosos, que têm um sistema imunológico frágil e são mais vulneráveis a certas doenças cardíacas e respiratórias
Recém-nascidos menores e mais magros. Aceleração do processo de estreitamento das artérias - estágio inicial de muitas doenças cardíacas. Doenças respiratórias. Todos esses são problemas aos quais a população da região metropolitana de São Paulo está sujeita diante da poluição do ar que respira.
Mesmo com todas essas conseqüências, nesta quinta-feira (05), Dia Mundial do Meio Ambiente, a cidade de São Paulo (SP) ganha de presente 800 carros novos, segundo a média de emplacamentos verificada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran). No último dia 21 de fevereiro, a capital paulista atingiu a marca de seis milhões de veículos nas ruas. Se a média foi mantida, hoje, a cidade alcança cerca de 6.084.000 automóveis.
A situação mostra-se mais grave ainda pois, segundo dados da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB), os meios de transportes são responsáveis por 90% da poluição de São Paulo.
Segundo o epidemiologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Nelson Gouveia, que há quinze anos estuda os efeitos dos gases poluentes nas populações que vivem em grandes cidades, a situação da saúde da população só piora diante dos seguidos índices recordes de congestionamento. Eles contribuem para aumentar as emissões, já que, quanto maior a lentidão dos veículos, mais gases poluentes os veículos lançam na atmosfera. “A situação é complicada. A cidade não tem um planejamento adequado. Tanto a população, quanto o poder público são responsáveis pela atual situação”, diz. Segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), nos últimos 10 anos, o número de veículos cresceu 25%, enquanto a infra-estrutura urbana aumentou apenas 6%.


Problema de saúde pública

Segundo o pesquisador, os mais atingidos pela baixa qualidade do ar em São Paulo são as crianças e os idosos. As pessoas nessas faixas etárias têm um sistema imunológico frágil e são mais vulneráveis a certas doenças cardíacas e respiratórias. “Porém, como os habitantes da cidade estão expostos diariamente aos altos índices de poluição, todos são afetados de uma forma ou de outra”, afirma Gouveia.
Uma das pesquisas realizadas por Gouveia verificou que as gestantes paulistanas que ficaram expostas a taxas maiores de poluição durante o primeiro trimestre de gravidez tiveram bebês com peso menor que as outras gestantes.
Para cada parte por milhão (ppm) de monóxido de carbono (CO) a que as mães ficaram expostas, houve redução de 23 gramas no peso do recém-nascido.
A pesquisa envolveu 179 mil recém-nascidos. Foram excluídos da análise os bebês prematuros - de gestação com menos de 37 semanas -, os gêmeos e as crianças com peso menor de 1 kg ou maior de 5 kg.
Outro estudo, do pneumologista Ubiratan de Paula Santos, acompanhou durante dois anos a saúde de 50 funcionários da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da capital paulista. Todos eles trabalhavam nas marginais Tietê e Pinheiros, duas das mais importantes vias da cidade. Eles não fumavam e nem eram asmáticos. Foi constatado que todos apresentavam elevação da pressão arterial e variação da freqüência cardíaca nos dias de maior poluição atmosférica. Deles, 33% apresentaram condições típicas de fumantes - redução da capacidade pulmonar e inflamação freqüente dos brônquios.
Outra pesquisa identificou que a poluição do ar pode ativar e acelerar o estreitamento das artérias do coração. Pesquisadores da University of Southern California, em Los Angeles (EUA), descobriram que a poluição atmosférica pode contribuir para os problemas cardiovasculares em um estágio inicial da doença, similar ao fumo.

Os grandes vilões

“Estamos em uma região muito grande e com uma frota veicular bastante densa”, comenta a gerente da divisão de tecnologia de avaliação da qualidade do ar da Cetesb, Maria Helena Martins.
Além da emissão dos carros, é preciso observar a questão meteriológica. “Nos dias de inverno cresce a concentração de poluentes, pois há pouco vento. Nos dias mais quentes, ensolarados e secos isso também é notável”, afirma.
Para Maria Helena, engana-se quem acredita que a ascensão do álcool contribuirá para a diminuição da emissão de gases poluentes. “Os veículos flex apresentam emissões de escapamento similares aos veículos comuns, independentemente do uso do álcool ou gasolina, já que o limite estabelecido é o mesmo, tanto para carros movidos a gasolina, quanto para os flex e os a gás (GNV). Os veículos movidos a álcool emitem praticamente os mesmo níveis de gás carbônico que os a gasolina”, explica.
Maria Helena diz que a grande vantagem do álcool é que ele é renovável. Diferentemente da extração do petróleo que retira o CO2 confinado no subsolo e o joga na atmosfera, o cultivo da cana de açúcar para extração de combustível líquido utiliza o ciclo natural do carbono. “A utilização do álcool é sempre benéfica pelo balanço positivo do CO2”, revela.
Mesmo diante de uma situação grave, o controle da poluição vem sendo fortalecido, o que contribuiu até para a sua diminuição. Na década de 1970, por exemplo, não havia o cuidado com as emissões na atmosfera paulistana. Já na década de 80, iniciou-se um controle desde a fábrica. “Hoje, existem catalisadores que diminuem a energia de ativação, facilitando a transformação de reagentes em produtos, conseqüentemente fazendo com que os escapamentos emitam menos gases pela queima de combustível. Os veículos, nacionais ou importados, não saem de fábrica se não forem inspecionados pelo Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve)”, diz Maria Helena.
Como saídas, Maria Helena diz que o cidadão pode e deve contribuir para as reduções de emissões de gases nocivos à saúde. Para ela, além de colaborar com o rodízio de veículos, pode-se diminuir o uso dos carros, optar por programas de carona, evitar horários de pico, manter o veículo devidamente regulado, usar transporte público, abastecer com combustível de boa qualidade e desligar o motor quando parado.