segunda-feira, 29 de junho de 2009


Reciclagem de lixo: Exercício de cidadania


Embalagens de alimentos, caixas de leite longa-vida, garrafas plásticas, latinhas de refrigerante, restos de comida, baterias de celular e jornais velhos. No final do dia, tudo o que é descartado - cada paulistano produz diariamente 1,2 kg de lixo, em média - tem o mesmo destino: os lixões ou aterros sanitários.
O Brasil produz cerca de 100 mil toneladas de lixo por dia, mas recicla menos de 5% do lixo urbano – valor muito baixo se comparado à quantidade de material reciclado nos Estados Unidos e na Europa (40%).
De tudo que é jogado diariamente no lixo, pelo menos 35% poderia ser reciclado ou reutilizado, e outros 35%, serem transformados em adubo orgânico.
O lixo é um problema relativamente recente, já que, há algumas décadas, era constituído basicamente por materiais orgânicos - facilmente decompostos pela natureza. Mas com a mudança nos hábitos, o aumento de produtos industrializados e o advento das embalagens descartáveis, o lixo tomou outra dimensão e sua "composição" também mudou.
Hoje, em vez de restos de alimentos, as lixeiras transbordam de embalagens plásticas (mais de 100 anos para decompor), papéis (de 3 a 6 meses) e vidro (mais de 4.000 anos).
Mas o problema não é, propriamente, a característica do lixo produzido, hoje, nos grandes centros urbanos, mas o destino dado a ele. Muitos desses materiais podem ser reaproveitados ou reciclados, diminuindo, assim, as enormes montanhas formadas nos lixões da cidade e, conseqüentemente, a degradação do meio ambiente.
Outro aspecto importante da reciclagem, além da consciência ecológica, é o fator social. A coleta de material reciclável é, muitas vezes, a única fonte de renda dos catadores. Só na cidade de São Paulo, há cerca de 20 mil em atividade – com ganho mensal médio de R$ 300,00.
De acordo com estudo feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), dos 8.000 moradores de rua que vivem no centro de São Paulo, mais de 3.000 vivem de recolher lixo reciclável.
Como a Prefeitura de São Paulo até agora não implantou nenhum programa oficial de coleta seletiva e reciclagem, muitas organizações não-governamentais, entidades sem fins lucrativos, empresas e a própria população têm se mobilizado para, na medida do possível, dar um tratamento adequado ao lixo produzido na cidade.
Alguns condomínios de São Paulo, preocupados com a questão ambiental, já encamparam a idéia da reciclagem e introduziram um programa de coleta seletiva. É o caso do Condomínio Saint Paul Ville, na Bela Vista, onde vivem cerca de 500 pessoas.
Há três anos, as crianças e adolescentes do prédio se mobilizaram para recolher latinhas de alumínio (cerveja e refrigerante). Em 99, os moradores decidiram formar uma comissão para elaborar um plano de trabalho, no qual, objetivos e as etapas do projeto foram estruturados. No Saint Paul, a coleta seletiva obedece a várias etapas. Num primeiro momento, apenas as latas de alumínio eram separadas do restante do lixo, por serem fáceis de manusear e pela alta aceitação no mercado. Depois as embalagens de plástico e as de longa-vida (Tetra-pak).
"Há dois tipos de coleta no prédio: a espontânea e a programada. Na espontânea, cada morador leva seu material à garagem e o deposita na lata. Na programada, toda segunda-feira, os funcionários recolhem os saquinhos com material reciclável, que é deixado pelos condôminos ao lado do latão de lixo, em cada andar", explica a assistente social, Odete Gebara, uma das integrantes da comissão de coleta seletiva do Saint Paul Ville.
Mas para passar da intenção à prática e evitar problemas provocados pela falta de informação, os condomínios têm à disposição várias organizações e instituições que prestam orientação, gratuitamente, sobre a implantação da coleta seletiva de lixo.
A ONG Instituto Gea, Ética e Meio Ambiente é uma delas. Formada há quase dois anos, pela comunicadora Ana Maria Domingues Luz e pela engenheira química Araci Musolino Montineri, o GEA presta atendimento à população, a condomínios, escolas e empresas, esclarecendo dúvidas e auxiliando na montagem de sistemas de coleta seletiva.
"Normalmente, a população tem uma enorme vontade de participar porque está preocupada com a questão do lixo, mas não sabe que não é tão fácil assim. Tem gente que acha que implantar coleta seletiva é comprar lixeiras coloridas. Só depois de amontoarem recicláveis, desordenadamente, é que descobrem que têm de organizar um lugar e juntar uma quantidade muito grande para que alguém venha recolher", diz Ana Maria.
O Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem), associação sem fins lucrativos mantida por empresas privadas, também se dedica à promoção da reciclagem, seguindo o conceito de gerenciamento integrado do lixo. A associação tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre a importância dos chamados "Três Rs": redução, reutilização e reciclagem de lixo, utilizando publicações, pesquisas técnicas e seminários.
"A mudança de hábito é a parte mais difícil. Requer um esforço, cujo tempo necessário varia bastante", diz o engenheiro químico André Vilhena, diretor executivo do Cempre.
Para implantar um programa de coleta seletiva é preciso ter bastante dedicação e empenho. Todo projeto é compreendido em, pelo menos, três etapas: o planejamento, a implantação e a manutenção. E para que a coleta funcione num condomínio, o programa nunca pode ser tocado por apenas uma pessoa. De acordo com as dicas fornecidas pela equipe do GEA, o sucesso dos programas depende da participação e do envolvimento de mais pessoas - três ou quatro, no mínimo.
"A única coisa que é indispensável é a vontade de fazer. Se não existe um grupo que quer levar o trabalho adiante, não tem como, a idéia morre. Se também não houver um grande cuidado em conscientizar os moradores, o programa vai para o brejo. Todas as outras coisas são contornáveis", afirma Ana Maria.

Além disto, a consultora do Gea diz que os condomínios devem gastar o mínimo possível, tentar equilibrar a quantidade de trabalho dos funcionários e facilitar a participação do condômino.

Planejamento – Antes de começar a coleta seletiva no condomínio, é indispensável conhecer bem o lixo "produzido" no local. Saber qual é a quantidade gerada, que materiais compõem o lixo e qual é a proporção de cada material - papel, plástico, vidro, alumínio ou orgânico. Além de "conhecer" o lixo, também é necessário se inteirar sobre as características do prédio - como o espaço físico e as rotinas de limpeza.
Definir que destino o material reciclável tomará, depois de selecionado, é outra atitude imprescindível. Em geral, eles podem ser doados ou comercializados. Seja qual for a decisão, o mais sensato é procurar conhecer bem o mercado de recicláveis.
"Quando a intenção do prédio for vender os recicláveis, é preciso pesquisar os valores antes, porque os preços de venda são baixos. Se for assim, pode ser frustrante. As pessoas acham que o dinheiro é proporcional à quantidade", esclarece Ana Maria.
Se o condomínio optar pela doação, elas podem ser encaminhadas para associações que vendem ou reaproveitam o material. Os sites do Gea e do Cempre têm uma lista de compradores e de organizações que recebem doação.
"Alguns condomínios comercializam e destinam o dinheiro obtido para o prédio ou para os funcionários. A nossa coleta não é para rentabilidade, mas ideológica. Optamos por não visar a parte econômica e assim, com a nossa doação, estimulamos a educação ambiental, diminuindo os lixões e melhorando a nossa qualidade de vida. É importante haver uma mudança de mentalidade para entender quais são os danos à natureza, quando o lixo não é devidamente destinado", diz Odete, do Condomínio Saint Paul.
Depois de ter, em mãos, todas as informações sobre o lixo, sobre o prédio e sobre o destino do material reciclável, o próximo passo é partir para a parte operacional do projeto. Neste momento, é importante decidir se todo tipo de lixo será coletado, quem fará a coleta, onde será estocado e para quem será doado ou vendido.
O Gea destaca, ainda, a importância da educação ambiental para que o projeto funcione. Moradores, funcionários da limpeza e empregadas domésticas devem, de maneira específica, ser informados, sensibilizados e mobilizados, seja por meio de cartazes, palestras, treinamento ou reuniões.
"Queremos sempre que o programa seja duradouro. Para isso, precisa ser muito bem estruturado", comenta Ana Maria.
A implantação – É neste momento que tudo começa a "acontecer" – da elaboração do material educativo ao treinamento dos funcionários, passando pelo acordo com compradores ou entidades, que receberão o lixo selecionado.
Depois de tudo acertado, a inauguração do programa pode ser marcada por um grande evento, como uma festa. O tom de alegria ajuda na transmissão das principais informações.
No Saint Paul, o início da primavera foi comemorado com uma festa que lembrou o tema "coleta seletiva". A programação incluiu uma palestra sobre o meio ambiente; oficinas de reciclagem, onde foram fabricadas cestas de jornal; além da projeção de vídeos sobre o assunto.
"Para incentivar a campanha de coleta seletiva, temos de fazer comemorações e envolver a comunidade por meio de atividades", diz Odete.
A manutenção – Para que, depois de implantado, o projeto de coleta seletiva não perca a "força", é importante continuar planejando atividades de informação e sensibilização entre os moradores e funcionários. Fazer com que as informações sobre os resultados e o andamento do programa sejam de conhecimento geral é fundamental para a manutenção dele.
"Normalmente, quem toma parte num programa ambiental, por conta do lixo, começa a se envolver em todos os sentidos. Abre os olhos para o que nunca tinha percebido e começa a tomar consciência de outras coisas, como: a água, a energia e esgoto", acredita Ana Maria.
Dicas rápidas
Toda embalagem reciclável, antes de ser jogada no lixo seletivo, deve ser lavada para não atrair insetos, nem ficar com cheiro forte, enquanto estiver armazenada no prédio;
Para tirar o grosso da sujeira das embalagens que serão destinadas à coleta seletiva, aproveite a água servida da pia da cozinha. Isso também faz parte do comportamento ecológico, porque a água é um recurso cada vez mais escasso;
· a compra de lixeiras especiais é dispensável, pelo menos no momento inicial do projeto. Evite gastos!
· qualquer cantinho disponível, na garagem ou espaços livres debaixo das escadas, é suficiente para armazenar o material reciclável do prédio;
· os restos de alimento também podem ser reciclados. Com poucos recursos é possível transformá-los em adubo;
· não jogue as baterias de celular no lixo comum. As empresas produtoras já estão se responsabilizando pelo recolhimento;
· as pilhas usadas, embora tenham substâncias tóxicas, infelizmente ainda não têm um destino adequado. Por enquanto, têm de ser jogadas no lixo comum. Evite acumulá-las para não haver contaminação;
· não separe o lixo sem ter planejado primeiro para onde mandar.

Fonte : Revista Direcional Condomínios. Matéria de Beatriz Lima.
www.direcionalcondominios.com.br
Dicas para implantar visite http://www.reciclandosp.hpg.ig.com.br/

Serviços:
Instituto Gea, Ética e Meio Ambiente
(11) 3058-1088
www.institutogea.org.br institutogea@uol.com.br

Cempre (Compromisso Empresarial para Reciclagem)
(11) 3889-7806
www.cempre.org.br
cempre@cempre.org.br

MATERIAIS

Papel
Decomposição: 3 a 6 meses
Não é reciclável: vegetal, celofane, encerados, papel-carbono, fotografias, papéis sanitários usados e fraldas descartáveis.
Vantagens da reciclagem: preservação de recursos naturais, economia de água e energia.

Plástico
Decomposição: mais de 100 anos
Não é reciclável: celofane, embalagens plásticas metalizadas e plásticos usados na indústria eletroeletrônica e na produção de computadores, telefones e eletrodomésticos.
Vantagens da reciclagem: em lixões, o plástico pode queimar, indevidamente, e sem controle. Em aterros sanitários, dificulta a compactação e prejudica a decomposição dos elementos degradáveis.

Vidro
Decomposição: mais de 4.000 anos
Não é reciclável: espelhos, vidros de janelas e de automóveis, tubos de televisão e válvulas, ampolas de medicamentos, cristal, vidros temperados planos ou de utensílios domésticos.
Vantagens da reciclagem: pode ser reutilizado porque sua esterilização tem alto grau de segurança.

Metais
Decomposição: não se decompõem
Vantagens da reciclagem: evita a retirada de minérios do solo, minimizando o impacto ambiental acarretado pela atividade mineradora, e reduz o volume de água e energia necessário para a produção de novos produtos.

Lixo orgânico
Decomposição: 6 a 12 meses
Vantagens da reciclagem: a compostagem de resíduos orgânicos -adubo com grande capacidade de reposição de sais minerais e vitaminas.

Desperdício de papel e medidas para o uso racional


Entre as questões ambientais, um dos maiores problemas verificados na atualidade é a geração de um grande volume de resíduos. Isto se deve ao incentivo desenfreado do consumo de produtos típicos da vida moderna, que acabam poluindo o solo e os rios como conseqüência de sua disposição final inadequada. Tal crescimento é verificado em todos os setores, sendo que o descarte de papel é o que vem apresentando maiores índices de crescimento.
Tem-se verificado que o desperdício de papel nos escritórios pode ser facilmente observado nas salas onde ficam as impressoras e o “xérox”. Muitas vezes se vêem cópias minimamente defeituosas ou folhas apenas com o nome do usuário da rede que mandou imprimir seus relatórios ou trabalhos. No Brasil, e em todo o mundo, a quantidade de folhas jogadas diariamente no lixo é assustadora. Maior ainda é a surpresa ao sabermos que praticamente nada é reciclado.
Para se produzir uma tonelada de papel virgem é utilizada 15 árvores e consumidos 100.000 litros de água. Sendo o papel um recurso reutilizável pela reciclagem, a coleta seletiva proporciona uma diminuição significativa desse resíduo, contribuindo assim para a preservação de recursos naturais e economia de fontes não-renováveis. Sabe-se hoje que produzir papel a partir de papel “velho” consome cerca de 50% menos energia: utiliza-se 50 vezes menos água, além de reduzir a poluição do ar em 95%. Considere-se ainda o destino final dos resíduos no Brasil: 76% céu aberto; 13% aterro controlado; 10% aterro sanitário; 09% usina de compostagem; 01% usina de incineração.
Portanto, é preciso batalhar para conscientizar seus colegas e chefes que é necessário e urgente fazer uso racional de papel em sua empresa. Não é porque a reciclagem está em alta que vamos esquecer que antes do "R" da reciclagem vem os "Rs" da redução e da reutilização dos materiais. Em muitos casos, a coleta seletiva de papéis pode ser realizada com a implementação de práticas de educação ambiental e com a promoção da conscientização e mudança de hábitos nas comunidades ou na equipe de funcionários de uma empresa, desenvolvendo atitudes de não desperdício e uso racional de papéis.
O problema é tão grave que a Câmara de Belo Horizonte adotou um novo procedimento na elaboração de projetos e nos pareceres em tramitação que são disponibilizados pela internet. Isso porque após as emendas alguns projetos podem usar mais de 50 páginas. A nova tecnologia permite uma economia de R$ 150 mil por ano, gastos anteriormente com papel e cópias xérox necessárias ao acompanhamento da tramitação dos projetos pelos parlamentares. Ganha o cidadão, que terá acesso gratuito às informações; e o meio ambiente, que tem seus recursos poupados.
O mesmo foi realizado em uma das unidades da Universidade de São Paulo, em um programa implementado por uma equipe formada por docentes, funcionários e alunos que organizam e executam as atividades. São realizadas palestras de orientação sobre as atividades do programa nos diferentes setores e parte do papel é usada para confeccionar blocos de rascunho que são distribuídos à comunidade. O recurso financeiro obtido com a venda é revertido para a manutenção e continuidade do projeto. Em pouco tempo do programa foi para a reciclagem 3.496 Kg de papéis.
No entanto, essa atitude deve ser pessoal. Não podemos ficar passivos frente a uma atitude sem propósito como o desperdício. Pergunta-se então: como evitar essa prática? a) analise os motivos do desperdício e combata-os - a economia que poderá ser feita é um ótimo argumento; b) convide os profissionais a conhecerem a "salinha do Xérox" que é o principal local onde reside o problema; c) Reduza o uso de papel: revise texto no computador antes de imprimir e faça apenas o número necessário de cópias; d) Reutilize - use as duas faces da folha de papel para escrever, imprimir e fazer cópias; e) Reaproveite - envelopes, sacolas, papéis de embrulho e embalagens; f) compare o custo do papel reciclado com o virgem - existem papéis reciclados sem apelo de marketing; g) selecione - separar o material é fundamental, não misturando, por exemplo, copinhos sujos de café - é possível vendê-los em “Bolsas de Resíduos”; ou você pode entrar em contato com alguma entidade ou cooperativa de catadores para que eles recolham o material periodicamente; e h) não aceite folhetos na rua ou no carro se não forem de seu interesse.
Fica sempre aquela pergunta: o que eu tenho a ver com tudo isso? Empresas responsáveis entram em um seleto grupo de organizações com boa visibilidade junto a formadores de opinião. Tem benefícios como: fidelidade do cliente, vendas maiores, menores taxas de juros nos bancos, entre outros. Cada vez que contribuímos com novas propostas e atitudes, o mundo se modifica. Passe essa idéia adiante!

Publicação original em: INFORMACIRP, RIO POMBA, DEZEMBRO DE 2008.
* Por Maurício Novaes Souza em http://mauriciosnovaes.blogspot.com
http://www.cnpma.embrapa.br/down_hp/408.pdf

Reduza o consumo de papel


Movimentos ambientalistas denunciam que a região sul do Rio Grande está sob séria ameaça de transformar-se num imenso “deserto verde” com maciça plantação de eucaliptos.
Mas afinal o que significa um “deserto verde”?
Significa transformar grandes propriedades especializadas no cultivo de um único produto, muita mecanização (logo pouquíssima mão-de-obra), uso intenso de agrotóxicos e sementes trangênicas.
O plantio de eucalipto para as indústrias de celulose e papel está sendo apregoado como a salvação da economia do sul do estado, mas omite-se o mal que está sendo escondido da opinião pública.
Pouco se fala, na grande mídia, dos problemas ambientais e sociais que as fazendas de reflorestamento causam. O reflorestamento oferece pouca oferta de empregos e causa perda na biodiversidade da região.
O eucalipto danifica o solo definitivamente, depois de plantado suas raizes penetram nos lençõis freáticos prejudicando o abastecimento de água da região de maneira significativa, pois cada pé de eucalipto consome cerca de 30 litros de água ao dia. Córregos, riachos, arroios e outros mananciais da região poderão secar e a falta d’água não afetará apenas as populações e animais da região, ela impedirá a produção de qualquer tipo de alimento! E com o assoreamento dos rios, causados pela seca seca dos córregos, isso afetará a produtividade de outras regiões além das plantadas com eucaliptos Como o eucalipto é uma planta australiana, não é nativa da América do Sul, causa redução na biodiversidade da nossa flora e fauna. As indústrias de papel também ficam vulneráveis a acidentes ambientais graves, como ocorreu na Fábrica Cataguazes de Papel, em Cataguazes (MG). O rompimento de uma lagoa de tratamento de efluentes provocou o derramamento de cerca de 1,2 bilhão de litros de resíduos tóxicos no Córrego Cágados, que logo chegaram aos rios Pomba e Paraíba do Sul. A contaminação atingiu oito municípios e deixou cerca de 600 mil habitantes sem água. Com a morte dos peixes, pescadores e populações ribeirinhas ficaram sem seu principal meio de subsistência.
Mas os defensores dessa atividade econômica dizem que é “uma grande oportunidade” pois o mundo quer mais papel.
O que as pessoas comuns podem fazer, afora protestar e exigir que sejam ouvidos?
Acreditamos que também devem consumir menos papel.
Consumimos muito e desnecessariamente, consumindo menos poderemos fazer com que o “mercado” não seja tão ávido por celulose e papel, como dizem as papeleiras.

E não esqueçam: uma monocultura de árvores exóticas nunca será uma floresta, mas estimulará a derubada das florestas nativas!

Fonte:http://poavive.wordpress.com

Afundando em plástico !!!!


Taxadas como uma das grandes vilãs do meio ambiente neste início de século, as sacolas plásticas se amontoam nos lixões do país, bóiam nos nossos mares e rios ou se espalham pelas ruas das cidades. Afinal, o que você faz com a sacola plástica do mercado?
Para movimentar a discussão, surgiram os plásticos oxibiodegradáveis, com a promessa de se decomporem em até 18 meses. Eles chegaram ao mercado como a solução de todos os problemas ambientais, mas são seriamente criticados e postos à prova pelos especialistas, incluindo fabricantes dos plásticos tradicionais.
O professor de engenharia ambiental da Escola Politécnica da UFRJ Haroldo Mattos de Lemos, é enfático ao dizer que não existe plástico oxibiodegradável. “Não é biodegradável porque não entra em nenhum processo biológico. Eles usam aditivos que fazem com que o plástico se esfarele rápido, mas ele não se degrada totalmente. O nome é impróprio”, observa Lemos, que preside Instituto Pnuma Brasil. Haroldo de Lemos lembra que em fevereiro deste ano, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) editou nova norma sobre as nomenclaturas dos plásticos com objetivo de determinar o que é realmente biodegradável.
Presidente do Instituto Sócio Ambiental dos Plásticos (Plastivida), o engenheiro químico Francisco de Assis Esmeraldo informa que foi assinado um compromisso com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) para que os estabelecimentos de todo país só comprem sacolas plásticas aprovadas pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (InMetro). Ele também reforça a inexistência do tal plástico oxibiodegradável.
Um produto químico quebra a estrutura molecular, tornando o material degradável. Esse processo se faz com a presença do oxigênio, por isso o nome “oxi”, pois é um processo de oxidação. No caso do suposto oxibiodegradável, as fábricas colocam aditivos na fórmula do plástico que quebram as cadeias moleculares mais rapidamente. “É como se você colocasse a sacola no triturador. Ela permanece na natureza como pó, com as mesmas características e levará as mesmas centenas de anos para se degradar”, explica Esmeraldo.
Já na biodegradação todo material é transformado em CO2 e água. O engenheiro químico observa ainda que a palavra “biodegradável” é muito sedutora e que os fabricantes se valem desse jogo de palavras para iludir a população.

Poluição invisível

Você pode perguntar: mas não é bom que o plástico suma? Depende. Os aditivos usados para catalisar o processo de “degradação” são, geralmente, compostos por metais de transição ou metais pesados que têm um impacto ambiental sério. “Ninguém sabe exatamente os impactos que o plástico oxibiodegradável acarretará, mas ele foi lançado como a salvação da lavoura”, critica a técnica em química Cristiana Passinato.
Para ela, o pior é o resíduo dos catalisadores químicos usados na aceleração do processo de decomposição. “Nos lixões, por exemplo, o solo é contaminado por esses metais pesados, assim como os arredores. Esta questão é ignorada e jogada para debaixo do pano. O impacto tem que ser citado e esses aditivos devem ser substituídos”, alerta.
“O problema não é mais visto, mas ele continua lá”, observa Haroldo Mattos de Lemos, presidente do Instituto Pnuma Brasil. O grande apelo dos fabricantes desse tipo de plástico é a possibilidade de desaparecimento em um ano e meio, e não mais em séculos, que gera uma sensação de solução. O possível desaparecimento pode acirrar o consumo indiscriminado do plástico. “Pensa-se unitariamente, e se esquece do montante acumulado com o tempo”, alerta Cristiana Passinato.
Um ponto levantado por Haroldo de Lemos e que pode parecer controverso é que se o plástico degradar rapidamente, liberando gases que acentuam o efeito estufa, ele contribuirá para o aquecimento global e mudanças climáticas, problemas ambientais imediatos e atuais. Desta forma, o plástico oxibiodegradável mais uma vez não pode ser visto como tão benéfico assim. “Quanto mais esse processo de decomposição demorar, menos emissões ocorrerão”, conclui Haroldo de Lemos.
Fonte:http://www.fiocruz.br/jovem/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=70&sid=2

Consumo Consciente de Embalagens - o que é isso?


Consumo consciente de embalagens é pensar no meio ambiente quando você está fazendo compras e avaliar se as embalagens que está levando para casa junto com os produtos que adquiriu são mesmo necessárias ou feitas de materiais ambientalmente amigáveis - material reciclado, feito de fontes renováveis, fáceis de reciclar ou que possibilitem sua reutilização.
Consumir embalagens de maneira consciente é evitar comprar produtos "superembalados" e, sempre que possível, dar preferência a bens não-embalados (como, por exemplo, alimentos frescos). É pegar um guardanapo do porta-guardanapo em lugar de aceitar um que venha dentro de um saquinho de plástico. É evitar embalagens demais, do tipo "caixinha-dentro-de-um-saquinho-dentro-da-sacola-dentro-do-sacolão", que geram uma quantidade enorme de lixo. É levar sua sacola retornável para diminuir seu consumo de sacolas plásticas e pedir que o empacotador utilize toda a capacidade da sacolinha - além de exigir que o lojista ofereça sacolas resistentes, dentro das especificações técnicas de qualidade.
É também procurar comprar produtos em embalagens que tragam quantidades adequadas para sua família (por exemplo: se a sua família é grande, compre as bebidas nas embalagens maiores; se for pequena, evite as embalagens grandes e, conseqüentemente, o desperdício). É saber que há diversos produtos que vêm concentrados, contendo em apenas uma embalagem o equivalente a muitas delas do produto normal. É não comprar embalagens descartáveis de refrigerantes e bebidas quando houver a possibilidade de comprá-las em vasilhames retornáveis. É preferir produtos que ofereçam a opção de refil - e assim ajudar a economizar os recursos naturais na fabricação de novas embalagens.

A geração de resíduos cresce com o aumento do consumo - e as embalagens são o maior indicador desse crescimento. Quanto maior o consumo, maior a produção de embalagens. E embalagem é algo pelo que você paga, leva para casa e joga fora. O consumo consciente de embalagens é levar em conta que toda embalagem que vai de carona em nossas compras tem um impacto na natureza - seja na sua fabricação ou no seu descarte.
Olhe em volta dos produtos que você está comprando e pense: essa embalagem é a melhor alternativa para o meio ambiente? Procure saber mais sobre opções ambientalmente amigáveis e sobre consumo consciente! Pratique! Dê o exemplo! O planeta agradece!

A escolha é sua; O planeta é nosso!

Qual é o impacto das embalagens no meio ambiente?

Hoje, um terço do lixo doméstico é composto por embalagens. Cerca de 80% das embalagens são descartadas após usadas apenas uma vez! Como nem todas seguem para reciclagem, este volume ajuda a superlotar os aterros e lixões, exigindo novas áreas para depositarmos o lixo que geramos. Isso quando os resíduos seguem mesmo para o depósito de lixo...
Recentemente, foi descoberta uma enorme quantidade de lixo boiando no meio do oceano Pacífico - uma área igual a dois Estados Unidos. Esse grande depósito de entulho se formou com o lixo jogado por barcos, plataformas petrolíferas e vindos dos continentes, sendo reunido devido às correntes marítimas. Acredita-se que lá exista algo em torno de 100 milhões de toneladas de detritos .Uma boa quantidade é composta de embalagens e sacolas plásticas. Estima-se que resíduos plásticos provoquem anualmente a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100 mil mamíferos marinhos (Fonte: Revista Istoé, edição 1997 - "A sopa de lixo no Pacífico").
No Brasil, aproximadamente um quinto do lixo é composto por embalagens. São 25 mil toneladas de embalagens que vão parar, todos os dias, nos depósitos de lixo. Esse volume encheria mais de dois mil caminhões de lixo, que, colocados um atrás do outro, ocupariam quase 20 quilômetros de estrada.
Ou seja, as embalagens, quando consumidas de maneira exagerada e descartadas de maneira regular ou irregular - em lugar de serem encaminhadas para reciclagem - contribuem e muito para o esgotamento de aterros e lixões, dificultam a degradação de outros resíduos, são ingeridos por animais causando sua morte, poluem a paisagem, causam problemas na rede elétrica (sacolas que se prendem em fios de alta tensão), e muitos outros tipos de impactos ambientais menos visíveis ao consumidor final (o aumento do consumo aumenta a demanda pela produção de embalagens, o que consome mais recursos naturais e gera mais resíduos).
Todo esse impacto poderia ser diminuído ou eliminado, basicamente, por meio da redução do consumo desnecessário e correta separação e destinação do lixo: compramos somente aquilo que é necessário, reutilizamos o que for possível e mandamos para reciclagem materiais recicláveis e para a compostagem os resíduos orgânicos.


Decomposição dos materiais

Material
Tempo de decomposição na natureza

Papel
De 3 a 6 meses

Tecidos
De 6 meses a 1 ano

Metal
Mais de 100 anos

Alumínio
Mais de 200 anos

Plástico
Mais de 400 anos

Vidro
Mais de 1000 anos


Fonte: "Manual de Educação - Consumo Sustentável" - MMA e IDEC.